A arte de empreender no varejo supermercadista: Sorte ou azar, só o tempo dirá
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Por Fabiano Polese, diretor da Expo Supermercados - Feira de Negócios, Experiências e Inovações
Empreender no varejo supermercadista é, acima de tudo, uma jornada de decisões diárias — muitas delas tomadas sob pressão, com margens apertadas, concorrência intensa e um consumidor cada vez mais exigente. É um jogo de adaptação constante. E talvez nenhuma história represente melhor essa realidade do que a famosa parábola do sábio e seu cavalo.
Conta-se que um sábio vivia em uma pequena vila e tinha um cavalo muito valioso. Certo dia, o animal fugiu. Os vizinhos vieram consolá-lo:
— “Que azar!”
E o sábio respondeu:— “Sorte ou azar, só o tempo dirá”
Dias depois, o cavalo voltou, trazendo consigo outros cavalos selvagens. Os vizinhos comemoraram:
— “Que sorte!”
E o sábio novamente disse:— “Sorte ou azar, só o tempo dirá”
Na tentativa de domar um dos novos cavalos, o filho do sábio caiu e quebrou a perna.
— “Que azar!”, disseram.
— “Sorte ou azar, só o tempo dirá”, respondeu o sábio.
Pouco tempo depois, soldados passaram pela vila convocando jovens para a guerra. O filho do sábio, por estar machucado, não foi levado.
— “Que sorte!”
E mais uma vez:— “Sorte ou azar, só o tempo dirá”

No varejo supermercadista, essa parábola ganha vida todos os dias.
Um fornecedor atrasa? Pode ser o início de um problema… ou a oportunidade de descobrir um parceiro melhor.
Uma categoria perde venda? Pode ser um sinal de queda… ou o alerta necessário para reinventar a exposição, o mix e aumentar a rentabilidade.
Uma crise econômica chega? Pode parecer um golpe duro… ou o momento ideal para ajustar custos, rever processos e sair mais forte que os concorrentes.
A verdade é que, no supermercado, não existe evento isolado. Existe gestão.
O empreendedor de sucesso no varejo não é aquele que nunca enfrenta problemas — é aquele que entende que cada situação carrega um aprendizado, uma decisão e uma possibilidade de transformação.
É na ruptura que você melhora o controle de estoque.
É na perda que você fortalece a prevenção.
É na reclamação do cliente que você aperfeiçoa a experiência de compra.
É na pressão por preço que você aprende a trabalhar melhor margem, negociação e mix.
Empreender é interpretar os fatos, não apenas reagir a eles.
Assim como o sábio, o supermercadista precisa ter visão de longo prazo. Nem tudo que parece bom é realmente bom — e nem tudo que parece ruim é, de fato, negativo. Muitas vezes, o que define o resultado não é o acontecimento em si, mas a forma como você responde a ele.
No dia a dia da loja, isso significa:
Tomar decisões baseadas em dados, não em impulso
Treinar pessoas para agir com padrão e consistência
Ajustar processos continuamente
Estar aberto à inovação e à mudança
Transformar problemas em projetos de melhoria
Porque, no final, o varejo supermercadista é uma escola prática de resiliência, estratégia e evolução constante.
E talvez o maior ensinamento dessa parábola seja este:
Não existe sorte ou azar no varejo. Existe gestão, aprendizado e ação.
A pergunta não é o que aconteceu com o seu supermercado hoje.
A pergunta é: o que você vai fazer com isso?
Abraços! Fabiano Polese, diretor da Expo Supermercados - Feira de Negócios, Experiências e Inovações





