Abrir novas lojas é fácil. O desafio é saber quem vai produzir.
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Por Bruno Cruz – 10 anos atuando em Centrais de Produção para Supermercados | Fundador da Viáz Consultoria | Especialista em viabilidade econômica, projetos e implantação de Centrais de Produção.
Toda rede de supermercados comemora quando inaugura uma nova loja.
É um momento importante. Significa crescimento, conquista de mercado e aumento do faturamento.
Mas existe uma pergunta que poucos empresários fazem antes de cortar a faixa de inauguração:
Quem vai produzir?
Essa pergunta pode parecer simples, mas determina boa parte da rentabilidade futura da operação.

Recentemente, li um levantamento da APAS – Associação Paulista de Supermercados mostrando a força do setor. Somente no estado de São Paulo foram abertos mais de 2.800 novos estabelecimentos nos primeiros nove meses de 2025.
Os números mostram que o varejo supermercadista continua crescendo.
O problema é que, em muitos casos, a estrutura operacional não cresce na mesma velocidade.
Cada nova loja também abre uma pequena fábrica
Quando uma rede inaugura uma nova unidade mantendo produção própria em cada loja, ela não está abrindo apenas mais um supermercado.
Ela está criando, na prática, uma nova unidade produtiva.
Isso significa contratar novos açougueiros, padeiros, confeiteiros e outros profissionais especializados.
Significa adquirir equipamentos.
Significa controlar perdas.
Significa gerenciar qualidade.
Significa garantir padrões.
Significa administrar custos produtivos.
Ou seja, a cada nova loja a empresa multiplica também sua complexidade operacional.
Essa é uma conta que raramente aparece no plano de expansão.

Crescer vendendo é diferente de crescer produzindo
O varejo alimentar aprendeu a escalar vendas.
Hoje existem excelentes ferramentas de gestão comercial, marketing, CRM, precificação, fidelização e inteligência de mercado.
Mas muitas empresas continuam escalando a produção da mesma forma de vinte anos atrás.
Cada loja produz.
Cada loja compra.
Cada loja organiza sua equipe.
Cada loja cria sua rotina.
Cada loja enfrenta seus próprios desafios.
Na prática, o crescimento acontece.
Mas a eficiência operacional nem sempre acompanha esse crescimento.

O improviso custa caro
Sempre digo que o maior problema não é abrir novas lojas.
O risco está em expandir utilizando um modelo de produção que multiplica dificuldades.
Quanto maior a rede, maior a necessidade de:
mão de obra especializada;
supervisão operacional;
treinamento;
padronização;
controle sanitário;
gestão de perdas;
abastecimento.
Sem um modelo estruturado, essas necessidades crescem praticamente na mesma proporção da expansão.
E isso reduz margem.

Central de Produção muda essa lógica
É exatamente nesse momento que a Central de Produção deixa de ser apenas uma estrutura industrial.
Ela passa a ser uma estratégia de crescimento.
Ao centralizar a fabricação de produtos como carnes, panificados, confeitaria, frios e outros perecíveis, a empresa deixa de multiplicar pequenas fábricas.
Passa a trabalhar com uma única estrutura produtiva preparada para atender diversas lojas.
O ganho vai muito além da produção.
A rede conquista:
maior produtividade;
padronização dos produtos;
melhor aproveitamento da matéria-prima;
redução de perdas;
maior controle dos custos;
melhor utilização da mão de obra especializada;
abastecimento mais previsível.
Enquanto isso, as lojas deixam de produzir para concentrar seus esforços naquilo que realmente gera receita:
atender, abastecer, expor produtos e vender.
Antes da Central de Produção existe a estratégia
Existe outro ponto importante que considero essencial.
Nem toda rede precisa construir uma Central de Produção imediatamente.
Por isso, na Viáz Consultoria, nunca começamos um projeto discutindo galpão ou equipamentos.
Começamos avaliando a viabilidade.
Realizamos um estudo que analisa os impactos técnicos, econômicos, financeiros e operacionais da centralização.
Esse trabalho permite responder perguntas fundamentais:
O modelo faz sentido para esta rede?
Quais categorias devem ser centralizadas?
Qual será o investimento necessário?
Qual o ganho de produtividade?
Qual o retorno esperado?
Como ficará o abastecimento das lojas?
Quais riscos podem ser evitados?
Essa análise protege o empresário de realizar investimentos sem uma base técnica consistente.
Crescer sem multiplicar problemas
Depois de dez anos trabalhando exclusivamente com Centrais de Produção para supermercados, posso afirmar que a maior vantagem da centralização não está apenas na produtividade.
Ela está na capacidade de crescer sem aumentar a complexidade operacional na mesma proporção.
Toda rede quer abrir novas lojas.
Mas poucas estruturam sua produção para sustentar esse crescimento.
E essa diferença separa empresas que apenas aumentam o faturamento daquelas que constroem operações sólidas, escaláveis e rentáveis.
Porque abrir lojas é um sinal de força.
Crescer sem multiplicar dificuldades é o que diferencia uma rede grande de uma rede verdadeiramente preparada para o futuro.


















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