Belmiro Gomes, CEO do Assaí, analisa o futuro do atacarejo no Itaú BBA Leader Talks
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“Uma coisa importante: o modelo de atacarejo é uma criação brasileira, um orgulho para nós brasileiros.”
Com essa afirmação, Belmiro Gomes, CEO do Assaí Atacadista, inicia sua participação no Itaú BBA Leader Talks. Durante a entrevista conduzida por Rodrigo Gastin, o executivo apresenta uma análise aprofundada sobre a evolução do atacarejo, o comportamento do consumidor, as novas oportunidades de crescimento e os desafios de liderar uma das maiores empresas do varejo alimentar brasileiro.
O Itaú BBA é o banco corporativo e de investimentos do grupo Itaú Unibanco e mantém o Leader Talks como um espaço de conversas com importantes lideranças empresariais.
O atacarejo é uma criação brasileira
Segundo Belmiro Gomes, o atacarejo nasceu no Brasil a partir da união de dois públicos: o consumidor final e os pequenos comerciantes e empreendedores que compram para abastecer seus negócios.
Essa combinação entre B2C e B2B ajudou a construir um formato diferente dos modelos tradicionais encontrados em outros países. Ao longo do tempo, o atacarejo deixou de ser frequentado apenas por consumidores preocupados com economia e passou a atender diferentes classes sociais.
Para acompanhar essa transformação, as lojas precisaram evoluir em sortimento, localização, serviços e experiência de compra, mantendo uma das principais características do modelo: a eficiência operacional.
O atacarejo está realmente mais caro?
Durante a conversa, Belmiro também aborda uma dúvida frequente entre os consumidores: o atacarejo ficou mais caro?
A percepção de preço não depende apenas do formato da loja. Ela também é influenciada pela inflação, pelo comportamento das commodities, pelo nível de endividamento das famílias e pelas mudanças nas escolhas de produtos e marcas.
O executivo comenta o chamado “Efeito K”, no qual os juros elevados podem favorecer pessoas que possuem recursos aplicados, enquanto aumentam a pressão financeira sobre famílias de menor renda e consumidores endividados.
Nesse cenário, o cliente passa a fazer escolhas mais criteriosas. Pode trocar uma marca conhecida por outra mais acessível, mudar o tamanho da embalagem ou priorizar produtos essenciais. Para supermercadistas e atacadistas, compreender essas substituições é fundamental para ajustar o sortimento e preservar a competitividade.
Novas avenidas de crescimento do Assaí
Outro ponto importante da entrevista é a busca por novas oportunidades dentro das próprias lojas.
Em vez de depender somente da abertura de novas unidades, o Assaí procura aproveitar melhor seus ativos, sua estrutura e o fluxo de clientes. Entre as possibilidades mencionadas estão:
Implantação de farmácias em algumas lojas;
Comercialização de itens de oportunidade;
Ampliação de serviços financeiros para pequenos empreendedores;
Desenvolvimento de marcas próprias;
Melhor aproveitamento dos espaços e ativos existentes.
A estratégia mostra que o crescimento do varejo não acontece apenas pela expansão territorial. Ele também pode ser alcançado com novos serviços, categorias e soluções capazes de aumentar a frequência, a conveniência e o valor gerado por cada loja.
Como o atacarejo está se reinventando nas grandes cidades
A presença do atacarejo em grandes centros urbanos exige adaptações. O consumidor dessas regiões procura preço, mas também valoriza facilidade de acesso, variedade, serviços e uma experiência de compra mais completa.
Por isso, o formato precisa evoluir sem abandonar sua eficiência. O desafio é diversificar o sortimento e melhorar a jornada do cliente mantendo uma estrutura de custos compatível com a proposta de preços competitivos.
Essa reflexão também serve para supermercados de diferentes portes. Cada loja precisa entender sua região, o perfil de seus consumidores e os serviços que podem gerar mais relevância para a comunidade atendida.
Os desafios do comércio eletrônico no varejo alimentar
Belmiro Gomes também analisa a digitalização do varejo e as dificuldades logísticas do comércio eletrônico de alimentos.
Produtos refrigerados, congelados e perecíveis exigem separação cuidadosa, controle de temperatura e rapidez na entrega. Esses fatores aumentam os custos e tornam a operação mais complexa do que a venda online de itens duráveis.
Uma das estratégias é trabalhar em parceria com plataformas digitais para categorias de maior volume e produtos com melhor viabilidade logística. O objetivo é utilizar o comércio eletrônico onde ele realmente consegue entregar conveniência ao consumidor e sustentabilidade econômica para a empresa.
Marca própria como estratégia de competitividade
O desenvolvimento de marcas próprias é outra frente de crescimento apresentada no Leader Talks.
O Assaí trabalha com diferentes posicionamentos, incluindo a marca Assaí, a linha Chefe, direcionada especialmente aos profissionais, e a Econobom, voltada ao primeiro preço. A expectativa mencionada na entrevista é alcançar aproximadamente 200 SKUs de marcas próprias até o final de 2026.
Além de contribuir para a margem, a marca própria permite criar diferenciação, fidelizar consumidores e oferecer alternativas adequadas a diferentes perfis de compra. Entretanto, o sucesso depende de escala, qualidade, confiança e comunicação eficiente no ponto de venda.
Liderança pelo exemplo e busca constante pela inovação
Na parte final da conversa, Belmiro compartilha sua visão sobre liderança. Para o CEO do Assaí, atitudes e exemplos possuem mais força do que discursos.
Liderar uma empresa com cerca de 90 mil colaboradores exige uma cultura organizacional justa, coerente e capaz de circular por todos os níveis da companhia. Isso significa manter proximidade com a operação, escutar as equipes e garantir que os valores da empresa apareçam nas decisões cotidianas.
Quando questionado sobre o que tira o sono de um CEO, Belmiro destaca a preocupação com a inovação e com o risco de o modelo de negócio se tornar ultrapassado. Mesmo empresas líderes precisam acompanhar as mudanças no consumidor, na tecnologia e na concorrência.
O que os supermercadistas podem aprender com a entrevista?
A conversa apresenta aprendizados que podem ser aplicados por supermercados e empresas de diferentes tamanhos:
Eficiência continua sendo indispensável: melhorar a experiência não pode significar perder o controle dos custos.
O sortimento deve acompanhar o consumidor: mudanças de renda, preço e comportamento alteram marcas, embalagens e categorias escolhidas.
A loja pode gerar novas receitas: serviços, parcerias e novas categorias ajudam a aproveitar melhor a estrutura existente.
Marca própria exige estratégia: não basta colocar um novo rótulo na gôndola; é necessário oferecer qualidade, confiança e posicionamento claro.
Inovação deve ser permanente: empresas que deixam de acompanhar o mercado correm o risco de ver seu modelo perder relevância.
A liderança aparece nas atitudes: cultura organizacional é construída pelo comportamento diário dos líderes.
Assista ao Leader Talks com Belmiro Gomes
O episódio é recomendado para supermercadistas, atacadistas, fornecedores, gestores e profissionais interessados em compreender as transformações do varejo alimentar brasileiro.
Momentos de destaque
1:28 – Atacarejo: uma realidade brasileira
5:23 – O atacarejo está mais caro mesmo?
11:03 – As novas avenidas de crescimento do Assaí
26:20 – Quem realmente transformou o hipermercado?
30:08 – O desafio da marca própria no Brasil
33:58 – O poder das atitudes e do exemplo
38:27 – O que tira o sono de um CEO?





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