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Central de Produção para Supermercados: por que descobri que ela não é um galpão, mas um novo modelo de negócio

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Por Bruno Cruz – 10 anos em Centrais de Produção para Supermercados | Fundador da Viáz Consultoria | Especialista em viabilidade econômica, desenvolvimento de projetos e implantação de Centrais de Produção.


Em 2014, recebi um dos maiores desafios da minha carreira: liderar a centralização da produção de uma rede com 38 supermercados.

Na época, talvez eu não imaginasse que aquele projeto mudaria completamente minha forma de enxergar o varejo alimentar.

Hoje, mais de dez anos depois, essa mesma Central de Produção abastece mais de 70 pontos de venda e produz mais de 600 toneladas de alimentos por mês.

Ao longo desse período, aprendi mais sobre supermercados, produtividade e gestão operacional do que em qualquer curso ou MBA.

A principal lição foi entender que uma Central de Produção não é apenas um prédio cheio de equipamentos.

Ela representa uma mudança completa na forma como o supermercado produz, abastece e cresce.


O varejo e a indústria possuem lógicas diferentes

Quando assumi aquele projeto, percebi rapidamente que meu papel era levar para dentro do supermercado conceitos que a indústria já utilizava há décadas.

Talvez esse tenha sido um dos fatores mais importantes para o sucesso do projeto.

Minha experiência na indústria permitiu enxergar um problema que muitas vezes passa despercebido no varejo.

Produzir e vender são atividades diferentes.

Cada uma possui objetivos, indicadores, processos e necessidades próprias.

Quando essas duas funções disputam o mesmo espaço físico, os conflitos começam a aparecer.

A loja precisa vender.

A produção precisa produzir.

Enquanto a área comercial busca atender o cliente rapidamente, a produção precisa seguir processos, controlar rendimento, manter padrões sanitários e buscar eficiência.

Essas prioridades nem sempre caminham juntas.

Bruno Viaz com toucas escuta um homem falar em corredor industrial iluminado, com tubos e placas no teto, em clima atento.

Produção dentro da loja funciona... até a rede crescer

Durante muitos anos, produzir dentro da própria loja foi a solução natural para os supermercados.

E, para operações menores, esse modelo pode funcionar muito bem.

O problema aparece quando a rede começa a crescer.

Cada nova loja passa a exigir:

  • novos açougueiros;

  • novos padeiros;

  • novos confeiteiros;

  • novos equipamentos;

  • novos controles;

  • novas equipes de supervisão.

Na prática, cada inauguração representa também a criação de uma pequena fábrica.

A complexidade cresce na mesma velocidade da expansão.


Conheça por dentro uma Central de Produção de Supermercado com Bruno Cruz da Viáz Consultoria

A Central de Produção muda completamente essa lógica

Foi justamente isso que vivenciei naquele projeto iniciado em 2014.

Ao centralizar a produção, deixamos de multiplicar estruturas produtivas em cada loja.

Criamos uma única operação preparada para abastecer toda a rede.

Isso permitiu padronizar processos, organizar o fluxo produtivo, melhorar o controle dos custos e aumentar significativamente a produtividade.

Mas, acima de tudo, permitiu algo ainda mais importante:

As lojas passaram a focar naquilo que realmente sabem fazer.

Atender clientes e vender.

Enquanto isso, a Central de Produção assumiu aquilo que faz parte da lógica industrial:

Produzir com padrão, escala, previsibilidade e eficiência.


Central de Produção coloca mais dinheiro no caixa

Muitas pessoas perguntam se vale a pena investir em uma Central de Produção.

Minha resposta normalmente é outra.

A pergunta correta não é quanto custa construir uma central.

A pergunta é:

Quanto o modelo atual está custando para a empresa?

Quando a produção é descentralizada, aumentam:

  • desperdícios;

  • perdas;

  • retrabalho;

  • necessidade de mão de obra especializada;

  • diferenças de padrão;

  • dificuldade de gestão;

  • baixa produtividade.

Tudo isso reduz margem.

A Central de Produção muda essa equação.

Ela melhora a utilização da mão de obra, reduz perdas, aumenta produtividade, fortalece a padronização e cria uma operação preparada para crescer.

No final, isso significa uma única coisa:

Mais dinheiro permanecendo no caixa da empresa.


O primeiro investimento não é em equipamentos

Ao longo dos últimos anos, acompanhei muitos supermercadistas interessados em construir uma Central de Produção.

Quase todos começam falando sobre galpões, equipamentos ou layout.

Mas a experiência me mostrou que esse não é o primeiro passo.

Na Viáz Consultoria, sempre começamos pelo Estudo de Viabilidade Econômica.

Antes de qualquer investimento, avaliamos os impactos:

  • técnicos;

  • operacionais;

  • econômicos;

  • financeiros;

  • logísticos.

Esse estudo mostra se a centralização faz sentido para aquela rede, quais categorias devem ser industrializadas, qual será o retorno esperado e como o projeto deve ser estruturado.

Mais importante do que construir uma Central de Produção é construir a Central de Produção certa.


Depois de dez anos, uma certeza

Se existe uma conclusão que posso compartilhar depois de uma década trabalhando exclusivamente com Centrais de Produção para supermercados, ela é muito simples.

Central de Produção não é um galpão cheio de máquinas.

Ela é um novo modelo de negócio.

Um modelo capaz de aumentar produtividade, reduzir custos, proteger margem, organizar a expansão e tornar o supermercado mais competitivo.

Quando bem planejada, a Central de Produção deixa de ser um investimento operacional.

Ela passa a ser uma das principais estratégias de crescimento sustentável para o varejo supermercadista.

E é exatamente por isso que acredito que o futuro das redes de supermercados passa, cada vez mais, pela integração entre a eficiência da indústria e a proximidade do varejo.

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