Como aumentar a rentabilidade no açougue mesmo com balcão pequeno: lições práticas de Felipe Silva
- Fabiano Polese

- há 1 hora
- 3 min de leitura
Durante uma live com Marllon Thiago, o consultor Felipe Silva compartilhou um dos relatos mais práticos e inspiradores para quem acredita que só lojas grandes conseguem ser rentáveis. A conversa trouxe um ponto essencial: não é o tamanho do açougue que define o lucro, mas a estratégia aplicada no mix de produtos e na forma de exposição.
Felipe começou destacando uma realidade comum no varejo: muitos donos de lojas de pequeno porte querem aumentar a rentabilidade, mas não sabem por onde começar ou acreditam que não têm espaço suficiente para inovar. Para mostrar que isso é um mito, ele apresentou um case real de um supermercado de bairro, o Supermercado da Freguesia, onde atua há cerca de um ano.
Ao chegar à loja, Felipe encontrou um balcão pequeno, com cerca de três metros, onde eram expostos cortes tradicionais como patinho, coxão duro e coxão mole — todos colocados de forma básica, sem preparo adequado, sem padronização e sem valorização do produto. Além disso, a carne muitas vezes chegava à vitrine sem limpeza ideal e com falhas na refrigeração, prejudicando tanto a apresentação quanto a qualidade.
Diante desse cenário, ele tomou uma decisão ousada: retirar os cortes populares da vitrine principal e substituí-los por produtos com maior valor agregado. Em vez de expor apenas carnes “de primeira” no formato tradicional, a proposta foi introduzir cortes prontos ou semi-prontos, como estrogonof já cortado, bife da ponta de alcatra, paleta preparada, bife à rolê, capa de filé e outros itens classificados como PVA — Produto de Valor Agregado.
A mudança enfrentou resistência interna. Parte da equipe acreditava que retirar carnes populares da vitrine faria as vendas caírem. No entanto, Felipe destacou um ponto estratégico fundamental: produtos populares não precisam disputar espaço no balcão quando o espaço é limitado, porque o cliente já os conhece e vai procurá-los de qualquer forma. O balcão, nesse caso, deve ser reservado para aquilo que gera mais margem, diferenciação e valor percebido.
Além disso, a reorganização trouxe melhorias operacionais. Antes, a carne exposta na parte inferior do balcão sofria com refrigeração inadequada. Ao reposicionar os cortes e estruturar melhor a exposição, houve redução de perdas, melhora na conservação e mais eficiência no fluxo de trabalho.
O resultado foi claro: a rentabilidade da loja aumentou significativamente, o faturamento cresceu e as perdas praticamente desapareceram. Outro fator importante foi o comportamento do consumidor. Segundo Felipe, o cliente atual tem menos tempo e mais pressa, o que aumenta a demanda por produtos prontos ou facilitados. Um estrogonof já cortado, por exemplo, representa conveniência, praticidade e economia de tempo — fatores que justificam um preço maior e ampliam a margem.
Nesse contexto, agregar valor significa facilitar a vida do cliente, oferecer soluções prontas e transformar a matéria-prima em produtos com maior percepção de valor. A estratégia não é esconder os cortes tradicionais, mas priorizar o que gera lucro quando o espaço é limitado.
Felipe reforça que cada loja deve respeitar sua realidade, organizar bem suas categorias e evitar misturas que possam gerar riscos, como contaminação cruzada. Mas a mensagem central é clara: se o balcão é pequeno, a solução não é expor mais do mesmo — é expor melhor, com inteligência, estratégia e foco em rentabilidade.
O caminho para um açougue mais lucrativo passa por planejamento, inovação no mix, valorização dos cortes e foco no valor agregado. E, como mostra esse case, mesmo uma loja pequena pode alcançar grandes resultados quando decide mudar a forma de pensar e de vender.














Comentários