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Fim da escala 6x1 deve pressionar varejo a contratar mais; e mais rápido

  • 11 de mai.
  • 3 min de leitura

Setor deverá recorrer à tecnologia e automação para lidar com aumento da demanda por mão de obra

 

A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 avançou nas últimas semanas no Congresso Nacional e já entrou em uma nova fase de tramitação na Câmara dos Deputados. Em abril, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a admissibilidade da PEC que trata da redução da jornada de trabalho, permitindo que o texto siga para uma comissão especial, onde serão discutidos os impactos econômicos, regras de transição e o formato final da proposta. 

 

Caso as mudanças avancem, o impacto sobre o varejo brasileiro tende a ser direto. O setor concentra grande parte dos trabalhadores que atuam nesse modelo de jornada e, para manter o mesmo nível de operação, as empresas terão que reorganizar turnos e aumentar o volume de contratações.


Augusto Frazão, CEO da InHire,  em camiseta branca e jeans sentado contra fundo amarelo, com expressão neutra. Tatuagem "110K" é visível no braço.
Augusto Frazão, CEO da InHire

"O varejo já tem dificuldade de contratar no volume que precisa. Rotatividade alta, poucos candidatos interessados em cargos operacionais e prazos sempre curtos. Agora soma-se a isso uma mudança de jornada que vai exigir mais gente para manter a mesma operação de pé. A conta não fecha se o processo de contratação continuar funcionando do mesmo jeito”, afirma Augusto Frazão, CEO da InHire, plataforma de tecnologia para recrutamento e seleção. 

 

Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), cerca de 33,5 milhões de trabalhadores formais tinham contratos entre 41 e 44 horas semanais em 2023 (perfil compatível com regimes como a escala 6x1). Trata-se justamente da faixa de jornada mais comum em setores que operam seis ou sete dias por semana, como comércio e serviços.

 

Desafios na contratação em grande escala

 

Além do aumento esperado na demanda por contratações, o setor terá de lidar com um segundo problema: a capacidade de contratar com rapidez em grandes redes. Isso significa uma ordem de grandeza de milhares de contratações. 

 

Em operações de varejo, os processos seletivos são tradicionalmente descentralizados, muitas vezes conduzidos diretamente na ponta, com uso de planilhas, e-mails ou controles informais. Muitas vezes apelando para uma faixa de “contrata-se” na porta da loja. Esse modelo dificulta a padronização, reduz a visibilidade sobre indicadores e se mostra pouco eficiente quando o volume de vagas cresce.

 

"Quando você precisa preencher milhares de vagas ao mesmo tempo, o problema muda de natureza. Atrair candidato é uma parte. A outra, que quase ninguém resolve bem, é conseguir conduzir o processo rápido o suficiente para que o candidato não desista no meio do caminho", diz Augusto.

 

A experiência do candidato durante o processo seletivo é outro fator crítico. Processos longos, formulários extensos e falta de retorno aumentam a taxa de abandono, especialmente em cargos operacionais, nos quais os profissionais costumam participar de vários processos simultaneamente. Nesse contexto, a velocidade passa a ser um diferencial competitivo.

 

Tecnologia, IA e dados agilizam o processo e a experiência do candidato

 

Para lidar com esse novo cenário, empresas do varejo vêm acelerando a adoção de tecnologia como forma de ganhar eficiência, não apenas para os times internos, mas também para reduzir atritos na jornada do candidato. Automação, inteligência artificial e canais conversacionais, como o WhatsApp, têm sido utilizados para eliminar etapas manuais, agilizar triagens e permitir que processos seletivos avancem fora do horário comercial.

 

Um dos principais desafios está no acesso. Em cargos operacionais, muitos candidatos não possuem currículo em formato PDF ou computador para realizar cadastros extensos. Em muitos casos, o único recurso disponível é uma foto do currículo tirada pelo celular — ou nem isso. Tecnologias baseadas em IA já conseguem interpretar essas imagens, extrair informações relevantes e transformá-las em dados estruturados, reduzindo drasticamente a barreira de entrada no processo seletivo.

 

"Quando o mercado está aquecido, a experiência do candidato define quem contrata e quem fica com a vaga aberta. Se o processo é longo, complicado ou exige um PDF que a pessoa não tem, ela desiste. Quando a tecnologia consegue entender uma foto de currículo tirada pelo celular e transformar isso em candidatura, a barreira cai. E é aí que a contratação acontece", afirma Augusto.

 

Além da simplificação da inscrição, a velocidade de resposta também pesa. Processos mais curtos e conversacionais ajudam a manter o candidato engajado, especialmente em um cenário em que ele costuma participar de vários processos ao mesmo tempo. Nesse contexto, responder primeiro — e de forma simples — pode ser decisivo para fechar uma contratação.

 

"Tecnologia aqui não é diferencial. É infraestrutura. É o que permite contratar mais sem multiplicar o tamanho do time de recrutamento e sem perder o controle do processo quando o volume dispara", conclui Augusto. 

 
 
 

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