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Gerenciamento de Categoria: a estratégia que transforma layout, vendas e experiência do cliente

  • 13 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Durante a Expo Supermercados, na Anuga Select Brazil 2025, o Supermercado Modelo montado para a feira tornou-se um laboratório vivo de boas práticas. Em meio à movimentação de negócios e networking, uma conversa se destacou pelo conteúdo técnico e aplicação prática: a entrevista com Paulo de Tarso Marques, especialista em Gerenciamento de Categoria, que compartilhou sua experiência acumulada ao longo de décadas de atuação no varejo e indústria.


O consumidor no centro da estratégia
Paulo de Tarso Marques, VP Marketing & Vendas POPAI Brasil
Paulo de Tarso Marques, VP Marketing & Vendas POPAI Brasil

Segundo Paulo, o conceito de Gerenciamento de Categoria nasceu em 1992 nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em 1996, junto ao movimento ECR (Efficient Consumer Response) — Resposta Eficiente ao Consumidor. O princípio é simples: agrupar produtos similares e complementares de forma estratégica para atender às necessidades do consumidor, que é o ponto central de toda a operação.


Para isso, três pilares sustentam a metodologia:


  1. Uso inteligente de dados, não apenas para armazenar informações, mas para interpretá-las de forma estratégica.


  2. Estudo do comportamento de compra, entendendo o que motiva o cliente, sua frequência, preferências e hábitos regionais.


  3. Trabalho colaborativo entre indústria e varejo, unindo a expertise de quem produz e de quem vende para criar um planograma eficiente.


Papéis das categorias e proporção ideal

No gerenciamento de categorias, cada produto exerce um papel definido:


Destino: atrai o cliente para a loja (7% a 10% do mix).


Rotina: itens do consumo diário (aproximadamente 70%).


Sazonalidade: produtos de épocas específicas (cerca de 5%).


Conveniência: compras rápidas ou por impulso (em torno de 15%).


Seguir essa proporção ajuda a organizar o espaço da loja de forma equilibrada, evitando que preferências pessoais interfiram na exposição. Paulo reforça a importância de medir amplitude (número de famílias de produtos) e profundidade (quantidade de itens por família), aproveitando tanto a tecnologia quanto a observação direta no PDV.


O papel dos lançamentos e pontos extras

Para Paulo, lançamentos merecem atenção especial. Mesmo que não sejam os itens mais vendidos, é necessário dar visibilidade para que o consumidor os conheça e teste. Ele sugere posicionar esses produtos próximos a itens complementares — por exemplo, batata palha junto a pães de hambúrguer — e explorar pontos estratégicos como checkouts ou áreas de alto fluxo.


O uso de materiais de ponto de venda (PDV), como wobblers, também é fundamental. Mais do que propaganda, eles funcionam como uma “tradução” para o consumidor, mostrando receitas, sugerindo usos e destacando atributos.


Posicionamento estratégico de produtos de alto giro

Produtos como arroz e feijão, considerados categorias destino, devem ser posicionados no fundo da loja. Essa estratégia aumenta a circulação dos clientes e estimula compras adicionais no trajeto. Já produtos sazonais, como lentilha, canjica e trigo para quibe, ganham relevância em períodos específicos, como Natal, Páscoa e festas juninas.


Regionalização e adaptação do layout

Cada região do Brasil possui particularidades de consumo. Um produto que em um estado é de rotina pode ser destino em outro. Por isso, a análise de dados segmentada por região e o diálogo com a equipe e fornecedores são essenciais para ajustar o layout e o mix de acordo com o público local.


Indústria e varejo unidos para gerar resultados

Paulo destaca que a indústria detém profundo conhecimento técnico sobre seus produtos e categorias, enquanto o varejo conhece a fundo o comportamento de seus clientes. Quando esses dois lados trabalham juntos, conseguem criar planogramas que melhoram a experiência de compra e aumentam as vendas.


Vender mais, com mais satisfação do cliente

O Gerenciamento de Categoria não é apenas uma técnica de exposição de produtos — é uma estratégia que conecta dados, comportamento do consumidor e colaboração entre parceiros de negócio. Ao aplicá-la de forma consistente, o supermercado oferece ao cliente uma experiência de compra mais ágil, intuitiva e agradável, fortalecendo a marca e aumentando a rentabilidade.

“Tudo que fizermos para o varejista, com a intenção de agradar o consumidor, vai despertar momentos memoráveis”, conclui Paulo de Tarso Marques.

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