O primeiro passo para uma Central de Produção é analisar os impactos técnicos, operacionais e econômicos
- Fabiano Polese

- há 5 dias
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Por Bruno Cruz – Diretor da Viáz Consultoria, especialista em análise de viabilidade econômica, desenvolvimento de projetos e estruturação de centrais de produção para supermercados.
Quando o assunto é Central de Produção para supermercados, muitas pessoas pensam imediatamente em galpões, equipamentos, câmaras frias e linhas de produção.
Mas a realidade é que uma Central de Produção bem-sucedida não começa pela estrutura física.
Ela começa por uma pergunta muito mais importante:
A centralização faz sentido para a realidade do meu negócio?
Essa resposta não pode ser baseada em percepção, opinião ou tendência de mercado.
Ela precisa ser construída através da análise dos impactos técnicos, operacionais e econômicos que a Central de Produção terá sobre a empresa.
É exatamente por isso que o primeiro passo de qualquer projeto deve ser o Estudo de Viabilidade Econômica e Operacional.

O que é um Estudo de Viabilidade para Central de Produção?
O estudo de viabilidade é uma ferramenta que permite avaliar, antes de qualquer investimento, se a Central de Produção realmente irá gerar ganhos para a operação.
O objetivo é transformar dúvidas em números e criar uma base segura para a tomada de decisão.
Através dessa análise, o supermercadista consegue entender:
quanto precisará investir;
quais categorias fazem sentido centralizar;
quais produtos devem continuar sendo fornecidos por terceiros;
qual será o ganho de produtividade;
qual o impacto na mão de obra;
como ficará a logística de abastecimento;
qual será a economia operacional;
em quanto tempo o investimento retorna.
Segundo Bruno Cruz, muitos empresários acreditam que o principal risco está em não investir.
Na prática, o maior risco muitas vezes é investir sem conhecer profundamente os impactos do projeto.
Por que analisar os impactos técnicos?
A análise técnica busca entender se a operação possui características adequadas para a centralização.
Nem todo processo precisa ser levado para uma Central de Produção.
Durante essa etapa são avaliados:
volumes produzidos;
processos existentes;
fluxo produtivo;
capacidade instalada;
categorias com potencial de ganho de escala;
necessidades de equipamentos;
exigências sanitárias;
capacidade de expansão.
Segundo Bruno Cruz, uma Central de Produção deve ser construída para atender a realidade da empresa e não o contrário.
Por isso, o projeto precisa nascer das necessidades operacionais da rede.

Por que analisar os impactos operacionais?
Uma Central de Produção modifica profundamente a forma como a empresa trabalha.
Ela altera:
a produção;
o abastecimento;
a logística;
a gestão de pessoas;
os controles de qualidade;
os processos internos.
Muitos supermercados enxergam apenas os ganhos produtivos e esquecem que a centralização também exige mudanças operacionais.
Por isso, é fundamental compreender como a nova estrutura irá impactar as lojas.
A lógica muda.
A Central produz.
A loja vende.
Essa separação permite que as unidades foquem mais no atendimento, exposição, abastecimento e experiência de compra.

Por que analisar os impactos econômicos?
Talvez esta seja a etapa mais importante.
Segundo Bruno Cruz, a decisão de construir uma Central de Produção deve ser sustentada por indicadores econômicos sólidos.
O estudo permite avaliar:
investimento necessário;
retorno esperado;
redução de custos;
economia de mão de obra;
redução de perdas;
ganho de produtividade;
aumento de escala;
rentabilidade do projeto.
Muitas vezes, a análise mostra que algumas categorias devem ser centralizadas imediatamente.
Em outros casos, a conclusão pode ser que ainda não é o momento adequado para investir.
E essa informação também gera valor.
Central de Produção pode triplicar a produtividade
Um dos indicadores mais analisados pela Viáz Consultoria é a produtividade por colaborador.
Nas operações descentralizadas, normalmente encontramos produtividades entre 450 e 600 quilos produzidos por pessoa ao mês.
Quando a produção é centralizada e estruturada corretamente, esse indicador pode ultrapassar 1.500 quilos por colaborador ao mês.
Na prática, a relação costuma ser próxima de:
3 para 1
Ou seja, uma pessoa em uma Central de Produção consegue produzir o equivalente ao trabalho de três colaboradores distribuídos entre diferentes lojas.
Em um cenário de escassez de açougueiros, padeiros, confeiteiros e outros profissionais especializados, esse ganho pode representar uma enorme vantagem competitiva.
Antes da obra, venha a estratégia
Um erro comum é acreditar que uma Central de Produção começa com a compra de equipamentos ou a construção de um galpão.
Na verdade, ela começa com conhecimento.
Ela começa entendendo:
onde estão os gargalos;
quais são os custos ocultos;
quais ganhos podem ser obtidos;
quais riscos precisam ser evitados.
Somente depois dessa análise é que faz sentido discutir layout, equipamentos e estrutura física.

Uma decisão baseada em dados gera mais segurança
A Central de Produção pode ser uma das ferramentas mais poderosas para aumentar produtividade, reduzir perdas, melhorar o abastecimento e preparar uma rede para crescer.
Mas isso só acontece quando a decisão é construída sobre dados concretos.
Por isso, antes de pensar em concreto, aço ou equipamentos, pense em números.
Porque uma Central de Produção bem-sucedida não começa na obra.
Ela começa na análise dos impactos técnicos, operacionais e econômicos do negócio.





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