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O primeiro passo para uma Central de Produção é analisar os impactos técnicos, operacionais e econômicos

  • Foto do escritor: Fabiano Polese
    Fabiano Polese
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Por Bruno Cruz – Diretor da Viáz Consultoria, especialista em análise de viabilidade econômica, desenvolvimento de projetos e estruturação de centrais de produção para supermercados.


Quando o assunto é Central de Produção para supermercados, muitas pessoas pensam imediatamente em galpões, equipamentos, câmaras frias e linhas de produção.

Mas a realidade é que uma Central de Produção bem-sucedida não começa pela estrutura física.

Ela começa por uma pergunta muito mais importante:

A centralização faz sentido para a realidade do meu negócio?

Essa resposta não pode ser baseada em percepção, opinião ou tendência de mercado.

Ela precisa ser construída através da análise dos impactos técnicos, operacionais e econômicos que a Central de Produção terá sobre a empresa.

É exatamente por isso que o primeiro passo de qualquer projeto deve ser o Estudo de Viabilidade Econômica e Operacional.

O que é um Estudo de Viabilidade para Central de Produção?

O estudo de viabilidade é uma ferramenta que permite avaliar, antes de qualquer investimento, se a Central de Produção realmente irá gerar ganhos para a operação.

O objetivo é transformar dúvidas em números e criar uma base segura para a tomada de decisão.

Através dessa análise, o supermercadista consegue entender:

  • quanto precisará investir;

  • quais categorias fazem sentido centralizar;

  • quais produtos devem continuar sendo fornecidos por terceiros;

  • qual será o ganho de produtividade;

  • qual o impacto na mão de obra;

  • como ficará a logística de abastecimento;

  • qual será a economia operacional;

  • em quanto tempo o investimento retorna.

Segundo Bruno Cruz, muitos empresários acreditam que o principal risco está em não investir.

Na prática, o maior risco muitas vezes é investir sem conhecer profundamente os impactos do projeto.

Por que analisar os impactos técnicos?

A análise técnica busca entender se a operação possui características adequadas para a centralização.

Nem todo processo precisa ser levado para uma Central de Produção.

Durante essa etapa são avaliados:

  • volumes produzidos;

  • processos existentes;

  • fluxo produtivo;

  • capacidade instalada;

  • categorias com potencial de ganho de escala;

  • necessidades de equipamentos;

  • exigências sanitárias;

  • capacidade de expansão.

Segundo Bruno Cruz, uma Central de Produção deve ser construída para atender a realidade da empresa e não o contrário.

Por isso, o projeto precisa nascer das necessidades operacionais da rede.

Por que analisar os impactos operacionais?

Uma Central de Produção modifica profundamente a forma como a empresa trabalha.

Ela altera:

  • a produção;

  • o abastecimento;

  • a logística;

  • a gestão de pessoas;

  • os controles de qualidade;

  • os processos internos.

Muitos supermercados enxergam apenas os ganhos produtivos e esquecem que a centralização também exige mudanças operacionais.

Por isso, é fundamental compreender como a nova estrutura irá impactar as lojas.

A lógica muda.

A Central produz.

A loja vende.

Essa separação permite que as unidades foquem mais no atendimento, exposição, abastecimento e experiência de compra.

Por que analisar os impactos econômicos?

Talvez esta seja a etapa mais importante.

Segundo Bruno Cruz, a decisão de construir uma Central de Produção deve ser sustentada por indicadores econômicos sólidos.

O estudo permite avaliar:

  • investimento necessário;

  • retorno esperado;

  • redução de custos;

  • economia de mão de obra;

  • redução de perdas;

  • ganho de produtividade;

  • aumento de escala;

  • rentabilidade do projeto.

Muitas vezes, a análise mostra que algumas categorias devem ser centralizadas imediatamente.

Em outros casos, a conclusão pode ser que ainda não é o momento adequado para investir.

E essa informação também gera valor.

Central de Produção pode triplicar a produtividade

Um dos indicadores mais analisados pela Viáz Consultoria é a produtividade por colaborador.

Nas operações descentralizadas, normalmente encontramos produtividades entre 450 e 600 quilos produzidos por pessoa ao mês.

Quando a produção é centralizada e estruturada corretamente, esse indicador pode ultrapassar 1.500 quilos por colaborador ao mês.

Na prática, a relação costuma ser próxima de:

3 para 1

Ou seja, uma pessoa em uma Central de Produção consegue produzir o equivalente ao trabalho de três colaboradores distribuídos entre diferentes lojas.

Em um cenário de escassez de açougueiros, padeiros, confeiteiros e outros profissionais especializados, esse ganho pode representar uma enorme vantagem competitiva.

Antes da obra, venha a estratégia

Um erro comum é acreditar que uma Central de Produção começa com a compra de equipamentos ou a construção de um galpão.

Na verdade, ela começa com conhecimento.

Ela começa entendendo:

  • onde estão os gargalos;

  • quais são os custos ocultos;

  • quais ganhos podem ser obtidos;

  • quais riscos precisam ser evitados.

Somente depois dessa análise é que faz sentido discutir layout, equipamentos e estrutura física.

Uma decisão baseada em dados gera mais segurança

A Central de Produção pode ser uma das ferramentas mais poderosas para aumentar produtividade, reduzir perdas, melhorar o abastecimento e preparar uma rede para crescer.

Mas isso só acontece quando a decisão é construída sobre dados concretos.

Por isso, antes de pensar em concreto, aço ou equipamentos, pense em números.

Porque uma Central de Produção bem-sucedida não começa na obra.

Ela começa na análise dos impactos técnicos, operacionais e econômicos do negócio.

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