Quer abrir mais lojas? Talvez a Central de Produção seja mais importante do que você imagina
- 28 de mai.
- 3 min de leitura
Por Bruno Cruz, da Viáz Consultoria - especialistas em análise de viabilidade econômica, desenvolvimento de projetos e estruturação de centrais de produção para supermercados, com foco em eficiência operacional e redução de custos.
Expandir uma rede de supermercados é o objetivo de muitos empresários. Afinal, abrir uma segunda, terceira ou quarta loja representa crescimento, ganho de mercado e aumento de faturamento.
Mas existe uma pergunta que poucos fazem antes de iniciar esse processo:
Sua operação está preparada para crescer?

Porque uma coisa é abrir novas lojas.
Outra bem diferente é conseguir operá-las com eficiência, padrão e rentabilidade.
Hoje, praticamente todo supermercadista enfrenta o mesmo desafio: a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada.
A escassez de profissionais especializados afeta diretamente as áreas de perecíveis, justamente os setores que mais geram vendas, margem e diferenciação no supermercado.
Encontrar açougueiros, padeiros, confeiteiros, forneiros e profissionais qualificados para trabalhar nos perecíveis se tornou uma das maiores preocupações do varejo alimentar.
E agora imagine o seguinte cenário:
Você decide abrir mais duas ou três lojas.
Automaticamente precisará contratar mais equipes, formar novos profissionais, manter os mesmos padrões de qualidade e garantir que todas as unidades operem com eficiência.
Segundo Bruno Cruz, da Viáz Consultoria, muitas redes chegam exatamente neste ponto de reflexão.
A pergunta deixa de ser apenas "como abrir novas lojas?" e passa a ser:
Como expandir sem multiplicar os mesmos problemas operacionais?
Crescer apenas contratando mais pessoas nem sempre é a melhor estratégia
Durante muitos anos, a expansão aconteceu de forma simples:
Abriu uma nova loja?
Contrata mais gente.
Abriu outra unidade?
Contrata novamente.
O problema é que o mercado mudou.
Hoje, além da dificuldade de encontrar profissionais qualificados, os custos de contratação, treinamento, supervisão e retenção são cada vez maiores.
Conforme explica Bruno Cruz, muitas empresas tentam resolver o crescimento apenas com mais esforço operacional.
Mas chega um momento em que a expansão passa a exigir mais do que transpiração.
Ela exige estratégia.
Duas alternativas para quem quer expandir
Segundo Bruno Cruz, existem basicamente dois caminhos para uma rede que deseja crescer.
O primeiro é continuar multiplicando estruturas produtivas em cada nova loja.
Nesse modelo, cada unidade precisa de:
açougue próprio;
produção própria;
equipe própria;
supervisão própria;
controle próprio.
O resultado é uma operação cada vez mais complexa e dependente de mão de obra.
O segundo caminho é dar um passo lateral antes de crescer.
Ou seja:
Investir em uma Central de Produção.
Assim como o supermercado entende a importância de um Centro de Distribuição para organizar a logística, a Central de Produção surge para organizar a produção.
Central de Produção permite crescer com mais eficiência
A lógica é simples:
A central produz. A loja vende.
Enquanto as lojas ficam focadas em abastecimento, exposição, atendimento e vendas, a Central de Produção concentra:
cortes;
porcionamento;
processamento;
panificação;
confeitaria;
produção de alimentos;
padronização;
controle de qualidade.
Conforme destaca Bruno Cruz, esse modelo reduz significativamente a necessidade de profissionais especializados em cada unidade.
Isso se torna um diferencial enorme em um cenário de escassez de mão de obra.
Produtividade que ajuda a resolver o problema
Outro benefício importante está na produtividade.
Segundo Bruno Cruz, operações descentralizadas normalmente produzem entre 450 e 600 kg por colaborador ao mês.
Já em um modelo centralizado, essa produtividade pode ultrapassar 1.500 kg por colaborador ao mês.
Na prática, a relação é próxima de:
Três para um.
Ou seja, uma pessoa em uma Central de Produção consegue produzir o equivalente ao trabalho de três colaboradores espalhados entre diferentes lojas.
Isso gera ganhos em:
✔️ produtividade;
✔️ padronização;
✔️ controle de perdas;
✔️ abastecimento;
✔️ rentabilidade;
✔️ expansão da rede.
Crescimento sustentável exige modelo operacional
Abrir novas lojas continuará sendo um dos principais objetivos dos supermercadistas.
Mas a grande questão não é apenas quantas lojas abrir.
A questão é como sustentar esse crescimento.
Conforme reforça Bruno Cruz, redes que desejam crescer com mais eficiência precisam avaliar se o modelo atual conseguirá suportar a expansão ou se chegou o momento de investir em uma estrutura produtiva centralizada.
Porque, em um mercado cada vez mais competitivo e com escassez de mão de obra especializada, crescer não depende apenas de abrir novas unidades.
Depende de construir uma operação capaz de sustentar esse crescimento com produtividade, padrão e resultado.


















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