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Supermercados diante da nova revolução alimentar impulsionada pelas canetas emagrecedoras

  • há 40 minutos
  • 3 min de leitura

Por Franciele Marchioretto, diretora do CTDE Centro de Treinamento e Desenvolvimento Empresarial e da Expo Supermercados


A preocupação do consumidor com a saudabilidade dos alimentos e o crescimento nas vendas das chamadas canetas emagrecedoras estão pressionando a indústria de alimentos a se transformar. Quando essa mudança de comportamento se soma às evoluções tecnológicas — como inteligência artificial, proteínas alternativas, rastreabilidade e embalagens inteligentes — o resultado é um setor que vive um intenso ciclo de inovação.


Corredor de supermercado com prateleiras cheias de embalagens de biscoitos e salgadinhos. Paredes amarelas ao fundo, piso brilhante.

Estudos recentes de tendências de consumo estimam que a venda das canetas emagrecedoras, utilizadas no controle de peso, tenha apresentado forte crescimento nos últimos anos. Esse movimento está impactando diretamente a forma como as pessoas se relacionam com a alimentação.


Com isso, cresce também a atenção sobre como os alimentos se encaixam no estilo de vida moderno. As pessoas estão mais estratégicas na forma de comer, observando o impacto da alimentação no corpo, na rotina e na sensação de saciedade.


Dentro desse novo cenário, especialistas do setor apontam algumas tendências que devem marcar a indústria de alimentos nos próximos anos, muitas delas impulsionadas por startups e empresas de tecnologia alimentar:


1. Automação e inteligência artificial

O uso de inteligência artificial permite prever demanda, detectar falhas em linhas de produção, aplicar robótica em cozinhas industriais e analisar dados em tempo real para melhorar eficiência e qualidade.


2. Proteínas alternativas e fermentação de precisão

Ingredientes produzidos com microrganismos e plataformas tecnológicas estão permitindo a criação de proteínas com alta funcionalidade nutricional. Essa inovação abre espaço para alimentos plant-based, cultivo celular e ingredientes bioativos.


3. Cadeia de suprimentos digital e rastreabilidade

Tecnologias como blockchain, sensores e monitoramento em tempo real tornam a cadeia de produção mais transparente, garantindo rastreabilidade e segurança alimentar.


4. Embalagens inteligentes e sustentabilidade

O consumidor também espera inovação nas embalagens. Soluções capazes de monitorar o frescor dos alimentos, materiais compostáveis ou reutilizáveis e práticas de economia circular ganham cada vez mais espaço.


5. Personalização de alimentos

Com o avanço da análise de dados sobre perfil, comportamento e metabolismo dos consumidores, cresce a possibilidade de desenvolver alimentos personalizados para grupos específicos ou até mesmo para indivíduos.


Essas transformações já começam a aparecer na prática. Pesquisas indicam que uma parcela relevante da indústria de alimentos no Brasil já incorporou robótica ou inteligência artificial em seus processos produtivos. Além disso, iniciativas voltadas à reformulação de produtos se tornam cada vez mais comuns.


Franciele Marchioretto, diretora do CTDE Centro de Treinamento e Desenvolvimento Empresarial e da Expo Supermercados
Franciele Marchioretto, diretora do CTDE Centro de Treinamento e Desenvolvimento Empresarial e da Expo Supermercados

Redução de açúcar e sódio, diminuição de ingredientes artificiais, substituição de componentes, inclusão de fibras e proteínas alternativas e ajustes no perfil sensorial dos alimentos já fazem parte do cotidiano de pesquisa e desenvolvimento das empresas do setor.


O resultado é uma verdadeira onda de inovação que promete beneficiar tanto a indústria quanto o consumidor, criando produtos mais alinhados com saúde, tecnologia, sustentabilidade e novas expectativas de consumo.


Para o setor supermercadista, essa transformação no comportamento do consumidor representa um alerta e também uma grande oportunidade. Os supermercados podem se adaptar ampliando o sortimento de produtos com perfil mais saudável, como itens com redução de açúcar e sódio, alimentos ricos em proteínas e fibras, produtos funcionais e opções plant-based. Além disso, investir em comunicação clara nas gôndolas, destacar informações nutricionais, oferecer porções adequadas e valorizar marcas que trabalham com inovação e saudabilidade pode ajudar a atrair consumidores cada vez mais atentos ao que consomem. O varejo alimentar também pode utilizar dados de vendas e tecnologia para entender melhor as novas preferências do público, ajustando mix de produtos, promoções e estratégias de exposição para acompanhar essa nova fase da alimentação.

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