O açougue do futuro não começa pela máquina. Começa pelo cliente.
- 4 de ago.
- 3 min de leitura
Por Abílio Corrêa
Durante muitos anos, o varejo supermercadista tomou decisões quase sempre da mesma forma: identificava um problema operacional, comprava um equipamento e esperava vender mais.
Na prática, a lógica era simples:
Comprar máquina → mudar a operação → esperar que o resultado aconteça.
O mercado mudou.
Hoje, a tecnologia está cada vez mais acessível. O verdadeiro diferencial deixou de ser a máquina e passou a ser a capacidade de utilizá-la para resolver problemas reais do consumidor.
Por isso, acredito que o futuro do açougue nos supermercados não será decidido pelas máquinas que ele compra, mas pela capacidade de entender profundamente o comportamento do seu cliente e transformar esse conhecimento em decisões operacionais melhores.

O consumidor mudou. Ele busca conveniência, rapidez, praticidade, confiança e uma experiência de compra que facilite sua vida. Ele não compra apenas carne; compra tempo, segurança e facilidade para consumir aquele produto.
Se esse é o comportamento do cliente, a pergunta deixa de ser "qual máquina devo comprar?" e passa a ser "como minha operação pode entregar exatamente o que meu consumidor procura?"
É aí que a tecnologia encontra seu verdadeiro papel.
Máquinas de embalagem a vácuo, atmosfera modificada, processos produtivos mais eficientes e novas formas de exposição não criam valor sozinhos. Elas apenas potencializam uma estratégia construída sobre dados e evidências.
Antes de investir em qualquer tecnologia, eu investiria em entender profundamente quem compra naquele supermercado. Isso pode ser feito por meio da análise dos dados de venda, análise do comportamento de compra no chão de loja, pesquisas quantitativas e qualitativas com os clientes e, quando possível, pela implantação de ferramentas de CRM que permitam conhecer hábitos, preferências e padrões de consumo.
A tomada de decisão precisa ser baseada em evidências.
Na minha visão, existe uma sequência lógica para construir um açougue mais rentável:
Entender profundamente o cliente → Analisar os dados → Definir a estratégia → Desenhar a operação → Escolher a tecnologia → Executar → Medir e Ajustar.
Quando essa ordem é invertida, a tecnologia frequentemente vira um investimento subutilizado.
O açougue deixou de ser apenas um setor de produção e venda de carnes. Hoje, ele é um dos principais pontos de geração de valor, conveniência e diferenciação do supermercado. Para cumprir esse papel, toda decisão sobre operação, embalagem e tecnologia deve nascer do comportamento do consumidor — e não do hábito do varejista.
Costumo dizer que a máquina é o meio, nunca o fim.
O objetivo sempre será reduzir a distância entre aquilo que o consumidor espera e aquilo que a operação consegue entregar.
No fim das contas, cada supermercado possui um cliente diferente. E, justamente por isso, cada supermercado deveria construir o autosserviço do seu açougue a partir do comportamento do seu próprio consumidor.
Porque o açougue precisa, acima de tudo, entregar a promessa que o supermercado fez ao cliente.
Sobre Abílio Corrêa

Abílio Corrêa é especialista em embaladoras e embalagens a vácuo, termoencolhimento e atmosfera modificada. É CEO e fundador da AXISVAC e vice-presidente regional da Associação Mineira de Supermercados - AMIS.
Sua experiência reúne atuação no varejo alimentar, acompanhamento de operações no ponto de venda e desenvolvimento de projetos relacionados à conservação, produtividade e embalagem de alimentos perecíveis.
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