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Consumo nos supermercados cresce em 2026: como transformar o movimento em vendas e rentabilidade

  • há 1 dia
  • 9 min de leitura

O consumo nos lares brasileiros continua apresentando crescimento em 2026, criando novas oportunidades para supermercados de diferentes formatos e regiões do país.

Segundo o Departamento de Economia e Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados — ABRAS, o consumo nos lares apresentou, em junho de 2026, crescimento real de 0,48% na comparação com maio e de 1,86% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a alta real chegou a 2,49%.

Os valores foram corrigidos pelo IPCA, o que significa que o crescimento considera os efeitos da inflação e procura mostrar a evolução real do consumo. Os dados podem ser consultados no Índice de Consumo nos Lares da ABRAS.

Para o varejo alimentar, o resultado é positivo. Entretanto, o crescimento do consumo não garante automaticamente aumento da rentabilidade. O supermercado precisa estar preparado para aproveitar o movimento, transformar visitantes em compradores, manter os produtos disponíveis, controlar os estoques e proteger suas margens.

Corredor de hortifruti lotado em supermercado, clientes escolhendo legumes e frutas sob placas coloridas de bebidas e promoções.

O que o crescimento do consumo representa para os supermercados?

O aumento do consumo indica que as famílias continuam destinando uma parte importante de sua renda à compra de alimentos, bebidas, produtos de limpeza, higiene e outros itens comercializados pelos supermercados.

Esse movimento pode gerar:

  • maior fluxo de consumidores;

  • aumento da frequência de compra;

  • crescimento do número de cupons;

  • recuperação do ticket médio;

  • oportunidades para ampliar categorias;

  • aumento da procura por produtos frescos;

  • maior interesse por conveniência;

  • novas ocasiões de consumo;

  • crescimento das vendas nos canais digitais.

Porém, cada supermercado poderá sentir esse crescimento de uma maneira diferente. O resultado depende da localização, do perfil econômico da região, da concorrência, do formato da loja, do mix, dos preços e da capacidade de execução da equipe.

Uma loja pode receber mais consumidores e mesmo assim não aumentar sua rentabilidade. Isso acontece quando o crescimento vem acompanhado de rupturas, descontos excessivos, filas, perdas, estoque elevado ou aumento dos custos operacionais.


Mais consumo não significa que o cliente deixou de pesquisar preços

Mesmo com o crescimento do consumo, o consumidor permanece atento aos preços e ao valor recebido em cada compra.

Ele compara ofertas, utiliza aplicativos, acompanha encartes, participa de clubes de vantagens e visita diferentes estabelecimentos. Além do preço, também considera qualidade, frescor, atendimento, limpeza, variedade, disponibilidade e facilidade para concluir a compra.

Por isso, o supermercado precisa transmitir uma proposta de valor clara. Isso não significa ser o mais barato em todos os produtos. Significa apresentar preços competitivos nos itens mais conhecidos, oferecer qualidade nos perecíveis, manter as gôndolas abastecidas e proporcionar uma experiência confiável.

O cliente pode aceitar pagar um pouco mais por conveniência, qualidade e atendimento. Entretanto, não costuma aceitar preço confuso, produto em falta, promoção sem estoque ou baixa qualidade nos setores que considera importantes.


Transformar visitantes em compradores

Uma das primeiras perguntas que o gestor deve fazer é: quantas pessoas que entram na loja realmente compram?

O crescimento do consumo pode aumentar o fluxo, mas o resultado dependerá da capacidade de converter esse movimento em vendas.

A taxa de conversão relaciona o número de visitantes com a quantidade de compras concluídas. Quando o fluxo aumenta e o número de cupons não acompanha esse crescimento, é necessário investigar o que está impedindo a compra.

Entre as possíveis causas estão:

  • produtos em falta;

  • preços pouco competitivos;

  • etiquetas ausentes;

  • filas;

  • dificuldade para encontrar mercadorias;

  • falta de carrinhos e cestas;

  • atendimento insuficiente;

  • mix inadequado;

  • problemas de limpeza e organização;

  • baixa qualidade nos perecíveis.

Para compreender como calcular e utilizar esse indicador, leia a matéria Taxa de conversão no supermercado: quantos visitantes realmente compram?.

Não basta atrair pessoas. A operação precisa estar preparada para que o consumidor encontre o que procura e conclua a compra.


Promoções precisam aumentar vendas sem destruir a margem

Em um ambiente de consumo crescente, as promoções ganham ainda mais importância. Elas podem atrair clientes, aumentar o ticket médio e estimular a compra de produtos complementares.

Mas uma campanha não deve ser avaliada apenas pelo faturamento.

Quando o supermercado compra em excesso, reduz demais os preços ou não consegue manter o produto disponível durante a oferta, parte do resultado é perdida. Uma promoção bem-sucedida precisa equilibrar abastecimento, preço, giro, margem e estoque final.

Antes de iniciar uma campanha, é importante avaliar:

  • histórico de vendas;

  • comportamento do produto em ofertas anteriores;

  • elasticidade de preço;

  • período da promoção;

  • estoque disponível;

  • prazo de entrega do fornecedor;

  • margem normal e promocional;

  • risco de ruptura;

  • possibilidade de vendas complementares;

  • quantidade que poderá sobrar depois da campanha.

A matéria Promoção supermercadista com margem: como evitar ruptura e excesso de estoque mostra como previsão de demanda, análise de dados e Inteligência Artificial podem apoiar campanhas mais eficientes.

O verdadeiro sucesso não está apenas em vender muito durante alguns dias. Está em terminar a promoção com boa margem, consumidores satisfeitos e um estoque saudável.


Perecíveis são fundamentais para aumentar frequência e diferenciação

Açougue, padaria, hortifrúti, frios e rotisseria ocupam uma posição estratégica no crescimento do varejo alimentar.

Esses setores geram frequência porque muitos produtos são comprados várias vezes durante o mês. Também ajudam a diferenciar a loja, já que qualidade, frescor, variedade, atendimento e produção própria não são facilmente comparáveis apenas pelo preço.

A Expo Supermercados destacou que os perecíveis registraram crescimento de 4,8% em faturamento no primeiro semestre de 2026, impulsionados pela procura por alimentos frescos, saudáveis e de maior valor agregado. Saiba mais em Perecíveis lideram o crescimento do varejo alimentar.

Para aproveitar essa oportunidade, o supermercado deve observar:

  • qualidade no recebimento;

  • controle de temperatura;

  • exposição;

  • produção por horário;

  • disponibilidade ao longo do dia;

  • precificação;

  • rendimento;

  • validade;

  • perdas;

  • limpeza;

  • atendimento;

  • apresentação das embalagens;

  • conveniência.

Um hortifrúti bem cuidado pode fortalecer a imagem de toda a loja. A padaria pode criar motivos para visitas diárias. O açougue pode se tornar uma categoria de destino. A rotisseria pode atender consumidores que procuram refeições prontas e praticidade.

O crescimento dos perecíveis, entretanto, precisa ser acompanhado por controles. Vender mais sem conhecer rendimento, perdas e custo de produção pode criar uma percepção de resultado que não corresponde à realidade.


O espaço da loja precisa produzir mais

Com o crescimento do consumo, alguns gestores podem pensar imediatamente em aumentar a loja ou abrir novas unidades. Antes disso, é importante analisar se o espaço atual está sendo utilizado de maneira produtiva.

O indicador de vendas por metro quadrado mostra quanto cada metro quadrado da área comercial gera de faturamento em determinado período.

A análise pode ajudar nas decisões sobre:

  • distribuição dos setores;

  • tamanho do mix;

  • número de gôndolas;

  • pontos extras;

  • áreas promocionais;

  • espaço dos perecíveis;

  • produtos com baixa saída;

  • categorias com maior potencial;

  • necessidade de reforma ou ampliação.

Um setor pode apresentar faturamento elevado e, ao mesmo tempo, gerar pouca margem pelo espaço ocupado. Outro pode vender menos, mas entregar melhor retorno financeiro.

A matéria Vendas por metro quadrado no supermercado: como medir e aumentar a produtividade da loja apresenta o cálculo e mostra como comparar faturamento, margem e função estratégica de cada área.

A oportunidade de 2026 não deve ser aproveitada apenas colocando mais produtos na loja. O objetivo deve ser utilizar melhor o espaço disponível, facilitar a circulação e destacar as categorias mais importantes para o consumidor.


Crescimento exige estoque, mas estoque excessivo compromete o caixa

Quando as vendas aumentam, existe uma tendência natural de elevar os pedidos. O risco é transformar uma expectativa positiva em excesso de mercadorias.

Estoque representa dinheiro investido. Se os produtos permanecem muito tempo no depósito ou na gôndola, o capital deixa de estar disponível para outras necessidades da empresa.

Nos perecíveis, o problema é ainda maior porque o excesso pode se transformar rapidamente em perdas.

Por outro lado, reduzir demais o estoque também não é a solução. A ruptura impede vendas, prejudica a confiança e pode levar o consumidor à concorrência.

O desafio é trabalhar com o estoque adequado: suficiente para atender a demanda, mas sem imobilizar recursos desnecessários.

Um indicador importante para essa análise é o GMROI, que mostra quanto de margem bruta foi gerada para cada real investido no estoque. Ele combina margem e giro, permitindo identificar categorias que vendem muito, mas exigem capital excessivo.

Veja como utilizar esse indicador na matéria GMROI no supermercado: como medir o retorno financeiro do estoque.

O acompanhamento pode revelar:

  • itens com estoque elevado;

  • produtos de giro lento;

  • categorias com boa margem e baixo retorno;

  • mercadorias com ruptura frequente;

  • duplicidades no mix;

  • oportunidades para melhorar negociações;

  • produtos que merecem mais exposição;

  • capital imobilizado sem necessidade.


Vender mais não significa necessariamente lucrar mais

O faturamento é um indicador importante, mas não pode ser analisado sozinho.

Uma loja pode apresentar crescimento nas vendas e, mesmo assim, ter dificuldades financeiras. Isso acontece quando a margem não cobre adequadamente os custos e as despesas.

Entre os fatores que podem comprometer o resultado estão:

  • aumento do custo das mercadorias;

  • descontos excessivos;

  • perdas;

  • horas extras;

  • energia;

  • manutenção;

  • taxas financeiras;

  • despesas com entrega;

  • estoque parado;

  • baixa produtividade;

  • crescimento da folha;

  • estrutura maior do que a necessidade.

Por isso, o supermercado precisa conhecer seu ponto de equilíbrio: o valor mínimo de vendas necessário para que a margem de contribuição cubra os custos e as despesas fixas.

Depois que esse valor é superado, as vendas adicionais passam a contribuir para a formação do lucro operacional.

A matéria Ponto de equilíbrio no supermercado: quanto a loja precisa vender para não ter prejuízo? explica como calcular o indicador e utilizá-lo na definição das metas.

O crescimento de 2026 será mais saudável para as empresas que acompanharem não apenas quanto venderam, mas quanto cada venda contribuiu para pagar a operação e gerar resultado.


Atendimento e experiência continuam fazendo diferença

Preço e produto são fundamentais, mas a experiência também influencia a escolha do consumidor.

Uma loja organizada, limpa e bem sinalizada facilita a compra. Uma equipe preparada consegue orientar, sugerir produtos e resolver problemas. Caixas ágeis reduzem o risco de abandono. Perecíveis bem apresentados aumentam a confiança.

O supermercadista deve observar toda a jornada:

  1. O cliente encontra informações sobre a loja?

  2. Consegue chegar e estacionar com facilidade?

  3. Encontra carrinhos e cestas?

  4. Localiza rapidamente os produtos?

  5. Entende os preços e as condições das ofertas?

  6. Encontra os itens anunciados?

  7. Recebe atendimento quando precisa?

  8. Passa pelo caixa sem demora excessiva?

  9. Sai satisfeito e com vontade de retornar?

Quando o consumo cresce, pequenas falhas podem ser ampliadas pelo maior movimento. Filas, rupturas e falta de reposição ficam mais evidentes. A liderança precisa ajustar as escalas e os processos aos horários de maior fluxo.


Tecnologia ajuda a transformar crescimento em decisões melhores

ERP, frente de caixa, sistemas de estoque, aplicativos, ferramentas de BI e Inteligência Artificial podem oferecer uma visão mais completa da operação.

Com dados integrados, o supermercado pode acompanhar:

  • vendas por loja;

  • ticket médio;

  • fluxo de clientes;

  • taxa de conversão;

  • margem;

  • perdas;

  • estoque;

  • ruptura;

  • vendas promocionais;

  • produtividade por setor;

  • retorno por categoria;

  • horários de maior movimento;

  • comportamento regional.

A tecnologia também pode apoiar previsões de demanda, sugerir pedidos, identificar produtos parados e alertar sobre riscos de falta ou excesso.

Entretanto, sistemas não corrigem sozinhos cadastros inconsistentes, processos mal definidos ou ausência de acompanhamento. A qualidade da informação continua dependendo da disciplina da operação e da capacitação das equipes.


Plano prático para aproveitar o crescimento do consumo

O supermercado pode começar com um plano objetivo.

1. Analise as vendas reais

Compare faturamento, volume, ticket, número de cupons e margem com os mesmos períodos de 2025.

2. Identifique as categorias que estão crescendo

Observe onde existe aumento verdadeiro de demanda e quais setores apenas registraram reajustes de preços.

3. Revise os principais produtos de referência

Verifique preço, estoque, exposição e comunicação dos itens que mais influenciam a percepção do consumidor.

4. Proteja os produtos que motivam visitas

Pão, carne, frutas, verduras, leite e itens promocionais precisam estar disponíveis nos horários de maior procura.

5. Analise margem e giro juntos

Não aumente pedidos apenas porque determinado produto vende muito. Avalie o retorno gerado pelo estoque.

6. Reduza perdas

Controle validade, armazenamento, produção, rendimento, avarias, erros de cadastro e diferenças de inventário.

7. Prepare as promoções

Defina o objetivo, estime a demanda, negocie com fornecedores e acompanhe o estoque durante e depois da campanha.

8. Ajuste as equipes ao movimento

Distribua operadores, repositores e atendentes de acordo com os horários e setores de maior fluxo.

9. Melhore a experiência

Revise sinalização, limpeza, preços, filas, carrinhos, atendimento e disponibilidade dos produtos.

10. Acompanhe a rentabilidade

Calcule ponto de equilíbrio, margem de contribuição, GMROI e produtividade do espaço.


Perguntas frequentes

O consumo nos lares cresceu em 2026?

Sim. Segundo a ABRAS, o consumo nos lares brasileiros acumulou crescimento real de 2,49% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025.

O crescimento do consumo significa aumento automático do lucro?

Não. O lucro depende da margem, dos custos, das despesas, das perdas, do estoque e da produtividade da operação.

Quais setores podem aproveitar melhor esse crescimento?

Açougue, padaria, hortifrúti, frios e rotisseria apresentam boas oportunidades por trabalharem com frequência, frescor, conveniência e diferenciação.

Como evitar excesso de estoque?

Utilize histórico de vendas, previsão de demanda, análise por loja, sazonalidade, calendário promocional e acompanhamento do giro.

Promoções sempre aumentam o resultado?

Não. Uma promoção pode elevar o faturamento e reduzir a rentabilidade quando diminui demais a margem, gera excesso de estoque ou apresenta ruptura.

Quais indicadores devem ser acompanhados?

Faturamento, volume, ticket médio, margem de contribuição, taxa de conversão, ruptura, perdas, giro, GMROI, vendas por metro quadrado e ponto de equilíbrio.


Crescimento com gestão gera resultados sustentáveis

Os dados de 2026 apresentam uma oportunidade positiva para o varejo alimentar brasileiro. O consumo continua crescendo e os supermercados permanecem essenciais para as famílias e para a economia das cidades.

Mas o melhor resultado não será necessariamente de quem apenas vender mais. Será de quem transformar o aumento da demanda em margem, produtividade, qualidade e fidelização.

Isso exige atenção ao estoque, às promoções, aos perecíveis, à experiência do cliente e à gestão financeira. Também exige equipes qualificadas e decisões baseadas em informações confiáveis.


Para acompanhar notícias, tendências, cases e conteúdos práticos, acesse o blog da Expo Supermercados e o canal da Expo Supermercados no YouTube.

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