Jornada de 40 horas e fim da escala 6x1: quem produz dentro do supermercado precisa rever a operação agora
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Por Bruno Cruz – Fundador da Viáz Consultoria | Especialista em viabilidade econômica, desenvolvimento de projetos e implantação de Centrais de Produção para Supermercados
Existe uma mudança sendo discutida no Brasil que merece atenção especial de quem administra supermercados.
A PEC 221/2019, já aprovada pela Câmara dos Deputados e atualmente em análise no Senado, prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.
Se o texto aprovado pela Câmara for mantido, a transição acontecerá em duas etapas: 42 horas semanais dois meses após a promulgação e 40 horas depois de mais 12 meses.
Para o varejo alimentar, que trabalha praticamente todos os dias da semana, essa discussão vai muito além de uma mudança na escala.
Ela coloca produtividade no centro da estratégia.
E, na minha visão, quem mantém grande parte da produção dentro do PDV tende a sentir essa pressão primeiro.
Menos horas disponíveis mudam a conta da operação
Supermercados dependem intensamente de mão de obra.
Açougue, padaria, confeitaria, rotisseria, frios e outros setores exigem pessoas produzindo, abastecendo, atendendo clientes, higienizando áreas e organizando a operação.
Quando diminuímos a quantidade de horas disponíveis por colaborador, mas mantemos exatamente os mesmos processos, a empresa precisa encontrar alguma forma de compensar essa diferença.
A reação mais imediata pode parecer simples:
contratar mais pessoas.
Mas considero perigoso começar por aí.
Contratar para manter um processo pouco produtivo significa transformar uma deficiência operacional em custo fixo permanente.
Antes de ampliar equipe, precisamos perguntar:
Estamos utilizando bem as pessoas que já temos?
A redução da jornada não cria o problema da produção própria
Ela apenas torna o problema mais evidente.
Em muitas redes, a produção continua distribuída loja a loja.
Cada unidade possui seus profissionais.
Cada loja possui equipamentos.
Cada equipe organiza sua própria rotina.
E, principalmente, cada produção precisa disputar atenção com a operação comercial.
É exatamente esse conflito que limita a produtividade.
Já escrevi anteriormente sobre essa diferença:
A loja trabalha orientada pelo cliente.
A produção precisa trabalhar orientada pelo processo.
Misturar as duas funções pode funcionar enquanto a operação é pequena. Quando a rede cresce — e quando as horas disponíveis ficam mais restritas — as ineficiências começam a aparecer com mais força.
Na loja, produzir acontece entre uma urgência e outra
Imagine o açougue.
O profissional começa determinada atividade produtiva.
Um cliente chama no balcão.
Ele interrompe.
Volta para produzir.
Falta produto no expositor.
Interrompe novamente.
Depois precisa organizar câmara, conferir recebimento ou resolver outra necessidade da operação.
No final do expediente, aquele colaborador trabalhou bastante.
Mas quanto desse tempo foi efetivamente dedicado à produção?
Esse é um ponto fundamental.
Produtividade não depende apenas de esforço. Depende do sistema em que a pessoa trabalha.
Na loja, produzir frequentemente acontece nos intervalos das demais atividades.
Em uma Central de Produção, produzir é a atividade principal.
Essa diferença muda completamente o resultado.
De aproximadamente 500 kg para mais de 1.500 kg por pessoa
Nos projetos e análises que desenvolvemos, encontramos com frequência operações descentralizadas trabalhando na faixa de 450 a 600 quilos produzidos por colaborador ao mês.
Quando a Central de Produção é corretamente desenhada, essa produtividade pode ultrapassar 1.500 quilos por colaborador ao mês.
Não significa que a pessoa da Central trabalhe três vezes mais.
Significa que o ambiente permite que ela passe muito mais tempo fazendo aquilo para que foi contratada.
Ela possui:
sequência produtiva;
planejamento;
equipamentos adequados;
matéria-prima disponível;
fluxo definido;
menos deslocamentos;
menos interrupções;
especialização;
padrões claros.
O ganho vem do processo.
Assista também:Conheça por dentro uma Central de Produção de Supermercado com Bruno Cruz da Viáz Consultoria
O problema não se resolve simplesmente colocando mais gente na escala
Esse é um ponto que considero especialmente importante diante da discussão sobre a jornada de trabalho.
Se uma empresa perder horas disponíveis e decidir imediatamente recompor todas elas com novas contratações, poderá preservar o modelo existente.
Mas deveria preservá-lo?
Essa é a pergunta.
Se a operação possui baixa produtividade, excesso de interrupções, funções duplicadas em várias lojas e dificuldade para mensurar custos, aumentar a equipe apenas permite que a empresa continue operando da mesma maneira.
Com um custo maior.
Por isso, antes de perguntar “quantas pessoas precisaremos contratar?”, eu faria outra pergunta:
“Quantas horas poderiam deixar de ser necessárias se redesenhássemos nossos processos?”
Uma rede com várias lojas multiplica estruturas produtivas
Quando a produção permanece em cada PDV, toda nova loja traz consigo uma necessidade semelhante.
Mais açougueiros.
Mais padeiros.
Mais confeiteiros.
Mais equipamentos.
Mais áreas produtivas.
Mais liderança.
Mais controles.
Mais escalas.
Uma rede pode crescer em faturamento e, ao mesmo tempo, aumentar sua complexidade operacional em velocidade ainda maior.
Esse tema é especialmente importante para empresas em expansão.
E também:
Uma eventual redução da jornada torna essa reflexão ainda mais urgente.
Menos horas-pessoa exigem mais produtividade por hora
Essa é a conta que considero mais importante.
Se uma operação precisa produzir o mesmo volume com menos horas disponíveis, existem basicamente algumas possibilidades:
contratar mais pessoas, reduzir produção ou aumentar produtividade.
Para uma rede que deseja continuar crescendo, aumentar produtividade deveria estar entre as primeiras opções analisadas.
Não estou defendendo simplesmente reduzir equipes.
Estou falando em produzir mais valor com cada hora de trabalho disponível.
Essa diferença é fundamental.
A Central de Produção muda a lógica
Uma Central bem estruturada permite retirar parte da complexidade produtiva das lojas e concentrá-la em um ambiente preparado para trabalhar com lógica industrial.
Na Central existem:
programação;
escala;
padronização;
indicadores;
especialização;
equipamentos compartilhados;
planejamento de demanda;
controle de rendimento.
A loja recebe os produtos e concentra energia em atendimento, abastecimento, exposição e venda.
Em uma realidade de jornadas potencialmente menores, essa separação pode se tornar ainda mais relevante.
A Central produz. A loja vende.
O custo da produção descentralizada ficará mais visível
Grande parte do custo da produção loja a loja permanece escondida.
Uma pessoa produz abaixo de sua capacidade porque atende clientes.
Outra perde tempo procurando matéria-prima.
Outra muda constantemente a sequência de produção.
Uma loja produz demais.
Outra produz de menos.
Uma sofre ruptura.
Outra perde produto.
Nenhuma dessas situações isoladamente parece justificar uma mudança estrutural.
Mas, quando somamos essas ineficiências em várias lojas, encontramos um custo relevante.
Com menos horas disponíveis, esse desperdício de capacidade ficará ainda mais caro.
A discussão sobre jornada pode acabar trazendo à tona uma pergunta que já deveria estar sendo feita:
Quanto custa manter nossa produção organizada da maneira atual?
Não espere a mudança acontecer para começar a estudar
Aqui está, na minha opinião, a principal oportunidade para redes supermercadistas.
A eventual mudança não aconteceria de um dia para o outro.
O próprio texto aprovado pela Câmara estabelece uma transição.
Isso cria uma janela para planejamento.
Empresas podem utilizar esse período para analisar:
produtividade por colaborador;
quilos produzidos por hora;
processos duplicados;
tarefas que poderiam ser centralizadas;
necessidade real de mão de obra;
capacidade dos equipamentos;
logística;
categorias com maior potencial de centralização;
custos atuais da produção loja a loja.
Esperar uma eventual mudança entrar em vigor para começar a reagir seria desperdiçar essa oportunidade.
Central de Produção não é resposta automática
Também não quero transformar essa discussão em uma conclusão simplista de que toda rede deve imediatamente construir uma Central.
Não é assim que trabalhamos.
Uma Central de Produção precisa fazer sentido econômica, técnica e operacionalmente.
Existem empresas que estão prontas.
Existem empresas que ainda precisam crescer.
Existem categorias que fazem sentido centralizar.
Outras podem continuar nas lojas.
Cada rede possui uma realidade.
Por isso, a decisão precisa começar por análise.
Primeiro vem o Estudo de Viabilidade Econômica
Antes de comprar máquinas, escolher terrenos ou iniciar obras, fazemos um Estudo de Viabilidade Econômica para Central de Produção.
Partimos da operação atual.
Analisamos volumes, produtividade, mão de obra, perdas, despesas, logística e perspectivas de crescimento.
Depois construímos cenários.
E uma eventual redução de jornada passa naturalmente a fazer parte dessas projeções.
A empresa pode avaliar, por exemplo:
o impacto das novas jornadas sobre sua necessidade de pessoal;
o custo de manter a produção descentralizada;
a produtividade potencial de uma Central;
investimentos necessários;
economias operacionais;
retorno esperado;
prazo de retorno;
riscos do projeto.
Só depois disso começa a discussão sobre estrutura física.
A mudança trabalhista pode acelerar uma discussão que o varejo já precisava fazer
Independentemente do resultado final da PEC, acredito que existe uma discussão que veio para ficar:
produtividade da mão de obra.
O setor supermercadista enfrenta há anos dificuldades para contratar e reter profissionais especializados.
A expansão das redes aumenta essa necessidade.
E o consumidor continua esperando disponibilidade, qualidade, conveniência e bom atendimento.
A resposta não pode ser simplesmente continuar multiplicando pessoas e estruturas na mesma proporção em que abrimos lojas.
Precisamos redesenhar processos.
Automatizar quando fizer sentido.
Centralizar quando houver viabilidade.
Eliminar atividades que não agregam valor.
E permitir que as pessoas trabalhem dentro de sistemas mais produtivos.
Quem começar agora terá mais tempo para decidir
Uma mudança estrutural não deveria ser tratada apenas quando se torna obrigatória.
A empresa que começar a estudar sua produtividade agora poderá tomar decisões com muito mais tranquilidade.
Pode testar.
Comparar cenários.
Conhecer operações.
Analisar números.
Planejar investimentos.
E decidir se uma Central de Produção realmente faz sentido.
Quem deixar para reagir somente quando a quantidade de horas disponíveis diminuir poderá acabar tomando decisões pressionado pela urgência.
E urgência raramente produz os melhores projetos.
A pergunta que fica para quem administra uma rede
Se a jornada disponível por colaborador diminuir, sua operação está preparada para entregar o mesmo volume — ou até crescer — com menos horas?
Se a resposta for não, talvez o problema não esteja na futura jornada.
Talvez esteja no modelo produtivo que a empresa utiliza hoje.
Reduzir jornada com produção espalhada pelas lojas pode apertar ainda mais uma operação que já trabalha no limite.
Quem administra uma rede tem uma oportunidade agora:
redesenhar a produção enquanto existe tempo para planejar ou reagir depois, quando a conta começar a pressionar margem e operação.
Quer conhecer uma Central de Produção?
Se você deseja conhecer uma Central de Produção funcionando, entender os ganhos de produtividade e avaliar como esse modelo poderia se aplicar à sua rede, fale comigo.
Uma visita técnica permite observar processos, fluxo, equipamentos, produtividade, logística e abastecimento antes de pensar em qualquer investimento.
Bruno Cruz – Viáz Consultoria
Especialista em análise de viabilidade econômica, desenvolvimento de projetos e implantação de Centrais de Produção para Supermercados
WhatsApp: (31) 98865-3056
Antes de contratar para compensar um processo ineficiente, descubra quanto sua operação poderia produzir se fosse redesenhada.
A jornada de trabalho já caiu para 40 horas no Brasil? Não. Em 7 de agosto de 2026, a PEC 221/2019 está em tramitação no Senado. Ela foi aprovada pela Câmara, mas ainda depende da análise e aprovação do Senado para avançar.
Como seria a transição para 40 horas se o texto atual for aprovado? Pelo texto aprovado pela Câmara, a jornada passaria para 42 horas semanais dois meses após a promulgação e para 40 horas 12 meses depois, totalizando 14 meses de transição.
Por que a redução da jornada pode afetar supermercados? Supermercados possuem operações intensivas em mão de obra e longos períodos de funcionamento. Uma redução das horas disponíveis aumenta a importância de produtividade, organização de escalas e revisão de processos.
Uma Central de Produção pode reduzir a necessidade de mão de obra? A centralização pode elevar a produtividade ao concentrar atividades, reduzir interrupções e organizar processos. Nas referências utilizadas por Bruno Cruz, operações descentralizadas ficam frequentemente entre 450 e 600 kg por colaborador/mês, enquanto centrais bem estruturadas podem ultrapassar 1.500 kg.
É melhor contratar mais pessoas ou centralizar a produção? Não existe uma resposta única. Antes de ampliar o quadro ou investir em uma Central, a empresa deve analisar volumes, produtividade, custos, logística e retorno econômico.
Toda rede de supermercados precisa de uma Central de Produção? Não. A decisão depende do tamanho, volume produtivo, categorias, estratégia de expansão, custos e viabilidade econômica de cada rede.


