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Medir perdas no supermercado: onde o dinheiro desaparece sem ninguém perceber

  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

No dia a dia de um supermercado, é natural que a atenção da gestão esteja voltada para vendas, promoções, compras, atendimento e abastecimento. Afinal, vender mais sempre parece ser o caminho mais rápido para crescer. Porém, existe uma realidade que muitos supermercadistas descobrem tarde demais: não adianta vender muito quando parte importante do lucro está escapando silenciosamente dentro da própria operação.

E essa fuga de resultado tem nome: perdas.

As perdas no supermercado raramente acontecem de forma escancarada. Na maioria das vezes, elas aparecem aos poucos, escondidas em pequenos erros diários, falhas operacionais, produtos vencidos, quebras não registradas, furtos, divergências de estoque, problemas de manipulação, erros de cadastro e processos que parecem normais, mas que ao longo dos meses podem consumir milhares ou até milhões de reais.

O mais preocupante é que muitos gestores ainda enxergam perdas apenas quando encontram um produto vencido ou uma mercadoria danificada. Na prática, as perdas vão muito além disso. Elas podem estar no Açougue, na Padaria, no FLV, na Frente de Caixa, no Depósito, nas Compras, no Recebimento e até na área administrativa.

É justamente por isso que supermercados de alta performance seguem uma regra clara: perda que não é medida, vira custo invisível.

O primeiro passo para controlar perdas é entender que elas possuem diferentes origens.

Existe a perda conhecida, que é aquela identificada pela equipe, registrada no sistema e contabilizada. São produtos vencidos, avarias, quebras, sobras de produção, devoluções e descartes.

Existe a perda não identificada, muitas vezes descoberta apenas durante inventários. Nessa categoria entram furtos internos ou externos, divergências de estoque, erros de lançamento, falhas de conferência e inconsistências operacionais.

Há ainda as perdas comerciais, que acontecem quando promoções mal planejadas, descontos excessivos ou erros de precificação comprometem margem sem que a equipe perceba.

E existem também as perdas operacionais, que normalmente são as mais silenciosas: excesso de produção, compras acima da necessidade, armazenamento inadequado, falhas de temperatura, exposição incorreta, produtos sem reposição e desperdícios internos.

Para transformar perdas em gestão, é necessário medir diariamente alguns indicadores fundamentais.

O primeiro é o índice percentual de perdas sobre o faturamento. Esse número mostra quanto da receita está sendo consumida por perdas.

O segundo indicador é a perda por setor, permitindo identificar onde está o maior foco do problema. Em muitos supermercados, os maiores percentuais aparecem em setores perecíveis.

O terceiro indicador é a perda por categoria de produto, identificando grupos mais vulneráveis como carnes, frutas, verduras, laticínios, congelados, padaria e produtos promocionais.

Outro número indispensável é a perda por validade vencida, que revela falhas de giro, compras ou reposição.

Também merece atenção a perda por quebra operacional, ligada a manipulação, transporte interno, armazenagem e abastecimento.

Nos inventários, medir a quebra desconhecida pode revelar problemas de segurança, cadastro ou processos internos.

No Açougue, por exemplo, medir perdas significa acompanhar quebra técnica, rendimento da desossa, oxidação, excesso de exposição e validade.

Na Padaria, significa medir produção versus venda, sobra diária, descarte e aproveitamento.

No FLV, significa acompanhar deterioração, maturação, manuseio e giro real.

Na Frente de Caixa, pode envolver erros de registro, divergências de preços, cancelamentos e falhas operacionais.

Segundo Clóvis Polese, muitos supermercados buscam aumentar vendas quando, na verdade, o primeiro grande ganho está em parar de perder.

Com décadas dedicadas ao desenvolvimento do varejo através do CTDE - Centro de Treinamento e Desenvolvimento Empresarial e da Expo Supermercados, Clóvis Polese reforça que prevenção de perdas não é responsabilidade de um setor específico. É uma cultura que precisa envolver compras, recebimento, armazenagem, produção, exposição, operação e liderança.

Quando o supermercadista começa a medir perdas com disciplina, algo poderoso acontece: o dinheiro deixa de desaparecer sem explicação e passa a permanecer dentro da operação.

No supermercado moderno, aumentar o lucro nem sempre começa vendendo mais. Muitas vezes, começa simplesmente aprendendo onde o lucro está escapando.

Porque quem mede perdas com precisão não apenas protege resultado. Protege o futuro do negócio.

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