O fim da escala 6x1 já começou no varejo
- Fabiano Polese

- há 2 dias
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Por Wagner Donegatti diretor do Conectando o Varejo e Especialista em Supermercados

O debate sobre o fim da escala 6x1 deixou de ser apenas uma pauta trabalhista e passou a ser uma questão estratégica para o varejo. Sem dúvida nenhuma, estamos diante de uma tendência que dificilmente terá volta. O setor pode até resistir por um tempo, mas quem não se adaptar aos novos modelos de jornada corre um risco real: ficar sem gente para operar a loja.
As redes do varejo alimentar já sentem isso na prática. A dificuldade de contratar e, principalmente, reter funcionários virou um dos maiores gargalos da operação. Em entrevistas recentes, Jorge Faiçal, um dos executivos mais importantes do varejo brasileiro e CEO da Plurix, trouxe dados que chamam atenção: em redes controladas pela Plurix, metade dos colaboradores deixa o cargo todos os anos, impactando diretamente a produtividade, o clima interno e os resultados das lojas.
Segundo Faiçal, esse cenário está ligado ao momento de pleno emprego no país, com taxa de desemprego em torno de 5,2%. Funções operacionais, como frente de caixa e reposição de gôndolas, estão entre as mais desafiadoras. E é justamente nesse contexto que a escala 6x1 entra no centro da discussão. Para ele, a mudança no modelo de jornada pode até gerar custos adicionais no curto prazo, mas tem potencial para algo muito maior: reduzir o turnover em até 50%, um índice hoje considerado extremamente alto.
Sem dúvida nenhuma, o varejo precisa parar de olhar apenas para o custo imediato e começar a analisar o custo oculto da rotatividade: treinamento constante, perda de produtividade, falhas no atendimento, desgaste da liderança e impacto direto na experiência do cliente. Muitas vezes, manter um modelo antigo sai mais caro do que mudar.
Como especialista em varejo, concordo com a visão do Jorge Faiçal. O desafio não é simplesmente acabar com a escala 6x1, mas repensar jornadas, modelos de gestão e liderança, buscando equilíbrio entre resultado, produtividade e qualidade de vida.
E você, o que pensa sobre isso? O seu supermercado já discute novas alternativas?














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