Podcast Varejo 3.0: quando gestão, processos e tecnologia se encontram para destravar o lucro do supermercadista
- Fabiano Polese
- há 40 minutos
- 6 min de leitura
Gravado na CICS (Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas), o Podcast Varejo 3.0 reuniu três vozes com vivência real de varejo para falar sobre o que mais dói na rotina do supermercado: saber se está tendo lucro de verdade, organizar processos, usar dados do ERP e ganhar tempo para crescer com segurança. O episódio foi conduzido por Fabiano Polese (Expo Supermercados) em conversa com Dautro Ribeiro, anfitrião do encontro, presidente da CICS e CEO do Grupo Telecon, e com Rogério Machado, mentor e criador da Mentoria RM 360° + Sistema S.
Um bate-papo direto: “linguagem simples para gente simples”
Logo na abertura, o tom do episódio fica claro: não é uma conversa para complicar. A proposta apresentada é levar um conteúdo de gestão com linguagem acessível, no estilo “bate-papo”, mas com foco em um objetivo bem concreto: tirar o supermercadista do achismo e levar para uma gestão de resultado.
Rogério Machado, com mais de 30 anos de varejo e trajetória como executivo, consultor, conselheiro e escritor (com três livros publicados), destaca que muitos donos de supermercado — tenham uma loja ou cem — enfrentam o mesmo gargalo: não conseguem responder com segurança se a operação dá lucro ou prejuízo.
A dor número 1: “minha empresa vende… mas cadê o dinheiro?”
Um dos trechos centrais do episódio é a discussão sobre um problema clássico do setor: supermercados que aparentam ir bem, mas vivem no aperto do caixa. Rogério descreve situações em que o negócio até tem boa operação, porém o dono mistura finanças, faz investimentos fora da empresa, assume despesas extraoperação e passa a “brigar com o lugar errado”.
A solução defendida pelo grupo começa por algo simples e, ao mesmo tempo, negligenciado: entender a DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício), separar lucro operacional de lucro líquido, enxergar o que é custo da operação e o que é decisão financeira fora da loja.
O ponto-chave do episódio: não falta esforço no supermercado; falta método para transformar dados em decisão.
Dados existem — mas muitos não usam: “cada bip no caixa é informação”
Dautro Ribeiro reforça o papel da tecnologia com uma imagem didática: cada “bip” do caixa é um pacote de dados — imposto, receita, margem, lucratividade, giro. O problema não é ter ou não ter sistema: é o quanto o gestor consegue transformar aquilo em gestão.

Ele comenta que muitos supermercadistas trocam de ERP, acreditando que o problema está na ferramenta. Mas o episódio aponta outro diagnóstico: em vários casos, a dificuldade real está na falta de rotina gerencial e no uso limitado do que o sistema já entrega.
Para enfrentar isso, Dautro menciona a criação de uma universidade corporativa dentro da Telecon, como forma de acelerar o entendimento do ERP e, principalmente, criar disciplina de gestão.
O “casamento” que virou diferencial: mentoria + ERP + aplicação no dia a dia
O grande assunto do episódio é a união entre Mentoria RM 360° e a plataforma de gestão (ERP) da Telecon, formando um modelo que os participantes tratam como algo raro no mercado: não é só conteúdo e não é só software — é conteúdo com aplicação guiada dentro do sistema.
Rogério usa uma comparação que resume bem o desafio: “ter o livro na mesa não significa ler; ler não significa entender”. Para ele, com ERP acontece igual: ter sistema não garante resultado se não houver aplicabilidade.
O diferencial descrito na conversa:
O conteúdo é apresentado em módulos (com foco em dores reais).
Depois, entra o time Telecon com atendimento prático: “aperta o botão A, B, C e você encontra a solução”.
Há encontros individuais (não apenas coletivos), para tratar particularidades da operação.
Na prática, o episódio defende que o supermercadista não precisa “virar analista de dados”: precisa de processo, rotina e direção para usar os relatórios certos na hora certa.
Os 7 pilares que organizam o supermercado por dentro
Durante o episódio, Dautro e Rogério listam os sete pilares trabalhados no programa:
Financeiro
Estoques
Operação de loja
Prevenção de perdas
Comercial
Marketing
RH
A proposta é tratar o supermercado como um organismo: se o lucro não aparece, existe uma falha em algum ponto do processo, e os indicadores ajudam a localizar onde está o problema.
Sistema S: “supermercado é corrida de bastão”
Um trecho didático do episódio é a explicação do Sistema S (de Supermercado / de Sucesso), apresentado por Dautro como um conjunto de processos encadeados (comprar → receber → registrar → armazenar → expor → vender → medir indicadores). Ele compara a operação a uma corrida de revezamento, em que cada área passa o bastão para a próxima.
A mensagem é direta: quando o supermercado cresce sem processo, ele cresce torto. E, mais cedo ou mais tarde, o dono volta a “apagar incêndio” em vez de administrar.
Mão de obra, automação e IA: o varejo 3.0 saindo do papel
O tema “mão de obra” aparece como uma das maiores preocupações atuais do setor. O episódio conecta essa dor com tecnologia e tendências:
avanço do self-checkout
automação de processos
uso de IA no ERP
interação por voz, como se o sistema fosse uma “Alexa do supermercado”, respondendo perguntas sobre estoque, financeiro e performance
A visão apresentada é que, em pouco tempo, será normal o gestor conversar com o sistema em vez de ficar preso em telas — e isso tende a reduzir dependência operacional e acelerar a tomada de decisão.
Crescer com base: “dinheiro não é o problema — estrutura é”
Quando o assunto muda para expansão (abrir novas lojas), a conversa reforça um alerta: crescer sem base gera tropeço. A “base”, segundo Dautro, é o conjunto de:
dados confiáveis (sistema)
processo bem implantado
pessoas treinadas
rotina de gestão
O episódio traz uma ideia forte: muitos supermercadistas travam não por falta de coragem ou investimento, mas porque ainda administram como se fossem uma venda pequena — mesmo quando já viraram empresa.
Sucessão: por que o filho não quer entrar no negócio?
Outro ponto alto é a discussão sobre sucessão familiar. Rogério descreve um cenário comum: filhos que viram os pais trabalhando “como escravos” e concluem que supermercado é sinônimo de sofrimento. A tese defendida no episódio é que processo e gestão mudam essa imagem, porque devolvem qualidade de vida e tornam o negócio “uma empresa como qualquer outra” — com organização, metas e liderança.
E há uma novidade importante citada: a edição seguinte do programa deixa de ser exclusiva para proprietários e passa a incluir também:
sucessores
gerentes estratégicos
A ideia é acelerar alinhamento interno e reduzir a dependência de uma pessoa só.
“Preço” x “valor”: quanto custa não treinar?
Na reta final, o podcast entra em um ponto sensível do varejo: investimento em gestão. Dautro traz a pergunta que muitos fazem (“vou treinar meu gerente e ele vai embora?”) e responde com a inversão de lógica: o custo de não treinar é muito maior.
Rogério reforça com um exemplo prático de prevenção de perdas: reduzir a perda (mesmo que pouco) pode significar dinheiro recorrente todos os meses. A mensagem é clara: o ganho não está em uma ação heroica, mas em melhoria contínua de processo e disciplina de gestão.
A solução não está fora - está dentro
Nos 30 segundos finais, Rogério resume o espírito do episódio:
o supermercadista olha demais para fora (concorrência), mas a solução está dentro (gestão).
Dautro reforça o bordão que virou assinatura:
“Não basta ter software, tem que ter gestão.”E ainda provoca uma atualização: gestão com tecnologia, como parte do mesmo pacote.
Fabiano encerra conectando o tema à realidade do supermercadista: quem organiza processos, usa dados, treina gente e aproveita tecnologia ganha tempo - e tempo é o ativo mais raro do dono de loja.
O que fica do episódio
O Podcast Varejo 3.0 entrega uma mensagem consistente, prática e bem alinhada com a realidade do setor:
Lucro não é opinião: é DRE, processo e disciplina.
ERP não é enfeite: é GPS da gestão.
Quem não organiza processos vira refém da própria operação.
Tecnologia + mentoria aplicada reduz erro, acelera decisão e prepara crescimento.
Gestão boa melhora o resultado e devolve qualidade de vida — inclusive para garantir sucessão.










