A verdadeira revolução da Inteligência Artificial no supermercado acontece longe dos olhos do cliente
- há 3 dias
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Por Fabiano Polese, diretor da Expo Supermercados - Feira de Negócios, Experiências e Inovações
Durante muito tempo, quando se falava em Inteligência Artificial no varejo, muitas pessoas imaginavam robôs circulando pelos corredores, caixas sem operadores ou aplicativos capazes de conversar com os clientes.
Essas soluções realmente estão chegando. Hoje já existem supermercados nos quais o consumidor pode montar sua lista de compras por voz, enviar a foto de uma anotação escrita à mão ou receber sugestões personalizadas de receitas, produtos e substituições por meio de assistentes inteligentes.
Mas, na minha opinião, essa não é a maior transformação que estamos vivendo.
A revolução mais importante acontece onde o cliente normalmente não enxerga.
Ela está no centro de distribuição, no setor de compras, na gestão dos perecíveis, na previsão de demanda, no controle do estoque, na definição dos pedidos, na pesagem, na embalagem, na produtividade das equipes e nas decisões que determinam quanto o supermercado vai vender e, principalmente, quanto vai lucrar.
É exatamente sobre isso que conversamos durante as Visitas Técnicas em Supermercados promovidas pela Expo Supermercados e nos encontros que realizamos com supermercadistas de diferentes regiões do Brasil.
Quando visitamos uma operação, não observamos apenas a estrutura da loja ou a exposição dos produtos. Procuramos entender como a empresa compra, recebe, armazena, produz, pesa, embala, abastece, vende e acompanha os seus resultados.
Essas conversas mostram que a tecnologia não pode ser vista como algo isolado. Ela precisa estar integrada à gestão, aos processos e às pessoas.
A Inteligência Artificial precisa de uma boa base de gestão
Nenhuma Inteligência Artificial faz milagres.
Se o cadastro estiver errado, o estoque não refletir a realidade, os processos forem desorganizados e os indicadores não forem confiáveis, a tecnologia produzirá respostas baseadas em informações ruins.
Por isso, a transformação digital começa muito antes da Inteligência Artificial. Ela começa na organização da empresa.
Nesse cenário, o ERP tem um papel fundamental.
O ERP da Telecon Software & Gestão, desenvolvido especialmente para supermercados, mostra como a tecnologia pode integrar as diferentes áreas da operação. Compras, estoque, formação de preços, frente de caixa, informações fiscais, indicadores e gestão de resultados precisam conversar entre si.
Não basta ter um software apenas para registrar vendas. É necessário utilizar a informação para administrar melhor o negócio.
Quando o supermercadista tem dados confiáveis em mãos, consegue avaliar margens, identificar produtos de baixo giro, acompanhar rupturas, controlar excessos e tomar decisões com maior segurança.
A Inteligência Artificial passa a ser ainda mais útil quando encontra uma estrutura organizada, com processos bem definidos e informações atualizadas.

Comprar melhor é tão importante quanto vender mais
Um dos grandes desafios do supermercado está em encontrar o equilíbrio entre a falta e o excesso de produtos.
A ruptura representa venda perdida, insatisfação do consumidor e risco de o cliente procurar outro estabelecimento. Já o excesso aumenta o custo de estoque, ocupa espaço, reduz o capital disponível e pode gerar perdas por vencimento, avarias e baixo giro.
É justamente nessa área que soluções como o Kikker ganham importância.
Por meio de Inteligência Artificial, machine learning e algoritmos capazes de compreender o comportamento de vendas no nível de cada produto e de cada loja, o Kikker ajuda a construir um pedido de compra mais adequado à realidade da operação.
A proposta é reduzir dois problemas que afetam diretamente a rentabilidade: a falta de produtos e o estoque acima do necessário.
A experiência do comprador continua sendo indispensável. A tecnologia não elimina o conhecimento acumulado por quem vive o varejo todos os dias. Ela amplia a capacidade de análise e oferece informações que ajudam o profissional a decidir melhor.
A tecnologia também está na pesagem e no ponto de venda
Quando falamos em modernização do supermercado, muitas vezes pensamos somente em softwares e Inteligência Artificial.
Entretanto, a eficiência também depende dos equipamentos utilizados no dia a dia.
A Urano Balanças é um exemplo de como a tecnologia aplicada à pesagem pode contribuir para a produtividade, a padronização, a identificação correta dos produtos e a apresentação das mercadorias.
Em setores como açougue, padaria, hortifrúti, fiambreria e produção própria, uma balança não serve apenas para informar o peso. Ela integra processos, registra informações, facilita a emissão de etiquetas e ajuda a tornar a operação mais organizada.
Recursos como a tara predeterminada das embalagens, por exemplo, eliminam controles improvisados e tornam o processo mais rápido e seguro.
A etiqueta também valoriza o produto. Além do peso e do preço, ela pode transmitir informações, reforçar a identidade do supermercado e contribuir para uma apresentação mais profissional no autosserviço.
Embalagem também é uma decisão de gestão
Nos setores de perecíveis, a embalagem deixou de ser apenas uma etapa final do processo.
Ela influencia a conservação, a exposição, a segurança, a vida útil, a padronização e a percepção de qualidade do produto.
A AXISVAC apresenta soluções completas para embalagens a vácuo e em atmosfera modificada voltadas à indústria e ao varejo alimentar.
A empresa conta com seladoras a vácuo, equipamentos de skin pack, atmosfera modificada, termoformadoras e tanques de encolhimento para diferentes portes de operação.
No açougue, por exemplo, a embalagem adequada pode ajudar a valorizar cortes bovinos, suínos, cordeiros, produtos temperados e itens destinados ao autosserviço.
O resultado depende da combinação entre equipamento, embalagem correta, processo bem executado e treinamento da equipe.
Uma boa embalagem reduz perdas, melhora a apresentação e pode ampliar as possibilidades de produção e comercialização dentro do supermercado.
Antes de investir, é preciso saber se o projeto é viável
A tecnologia também precisa estar ligada à estratégia de crescimento da empresa.
Quando uma rede pensa em ampliar lojas, centralizar a produção ou criar uma estrutura para abastecer várias unidades, não deve começar escolhendo galpões e equipamentos.
O primeiro passo precisa ser a análise da viabilidade.
Esse é o trabalho desenvolvido pela Viaz Consultoria, especializada em estudos e projetos para centrais de produção de supermercados.
Antes de implantar uma central de padaria, açougue, confeitaria ou frios, é necessário avaliar volumes, produtividade, logística, investimentos, custos, economia de escala e retorno financeiro.
A centralização pode gerar padronização, previsibilidade, redução de desperdícios, maior produtividade e menor dependência de mão de obra especializada em cada loja.
Mas cada supermercado possui uma realidade diferente.
Por isso, o Estudo de Viabilidade Econômica é indispensável para saber se o investimento faz sentido, qual deve ser o tamanho da estrutura e em que momento a empresa está preparada para avançar.
A transformação também depende das pessoas
Outro assunto presente em nossos encontros com supermercadistas é a importância da equipe.
Nenhuma tecnologia entrega resultado sozinha.
É preciso preparar as pessoas para utilizar novas ferramentas, compreender indicadores, seguir processos e participar da melhoria contínua da operação.
Empresas como a DNA Work contribuem justamente para essa visão voltada ao desenvolvimento das pessoas, da cultura organizacional e da capacidade de execução dentro das empresas.
O supermercado pode investir no melhor ERP, em inteligência para compras, equipamentos modernos, novas embalagens e estruturas produtivas. Porém, se as pessoas não estiverem envolvidas, treinadas e alinhadas, o potencial dessas soluções será limitado.
A tecnologia oferece informação, velocidade e controle. São as pessoas que transformam esses recursos em atendimento, produtividade, qualidade e resultado.
Tecnologia não substitui o supermercadista
Durante as Visitas Técnicas, percebemos que os melhores resultados aparecem quando a tecnologia trabalha ao lado do conhecimento prático do supermercadista.
O comprador conhece o mercado, os fornecedores e o comportamento dos clientes.
O gerente conhece a rotina da loja, os problemas de abastecimento e a capacidade da equipe.

O encarregado de perecíveis conhece o produto, a qualidade, o rendimento e as causas das perdas.
A tecnologia organiza essas informações, identifica padrões, apresenta alertas e ajuda a reduzir decisões tomadas apenas pelo “achômetro”.
Não se trata de substituir o profissional.
Trata-se de oferecer melhores condições para que ele tome decisões mais rápidas e seguras.
A inovação precisa resolver problemas reais
A grande lição que tiramos das visitas e dos encontros com supermercadistas é que a inovação só faz sentido quando resolve um problema real da operação.
O ERP da Telecon Software & Gestão ajuda a integrar informações e melhorar o controle da empresa.
A tecnologia da Urano Balanças contribui para uma pesagem mais eficiente, padronizada e profissional.
O Kikker utiliza Inteligência Artificial para buscar o equilíbrio entre ruptura e excesso de estoque.
A Viaz Consultoria ajuda o supermercadista a avaliar a viabilidade de centrais de produção e projetos de expansão.
A AXISVAC apresenta soluções de embalagem que contribuem para a conservação, a apresentação e a redução de perdas.
A DNA Work reforça a importância das pessoas, da cultura e do desenvolvimento das equipes para que os projetos sejam realmente executados.
São diferentes áreas, mas todas estão conectadas pelo mesmo objetivo: melhorar a gestão, aumentar a produtividade e tornar o supermercado mais competitivo.
O futuro já começou dentro da operação
Muitos supermercadistas ainda perguntam qual será o impacto da Inteligência Artificial e da automação no futuro.
Acredito que estamos fazendo a pergunta errada.
O impacto não será apenas no futuro. Ele já começou.
A diferença é que muitas vezes essa transformação acontece longe das gôndolas, dentro dos escritórios, dos centros de distribuição, das áreas de produção, dos estoques e dos setores de compras.
Ela aparece em um pedido mais preciso, em uma ruptura evitada, em uma etiqueta correta, em uma embalagem melhor, em uma produção mais eficiente e em uma decisão de investimento baseada em números.
A tecnologia não está apenas mudando a forma como os consumidores compram.
Ela está mudando a forma como os supermercados são administrados.
Nos encontros da Expo Supermercados, procuramos justamente aproximar os supermercadistas dessas experiências, soluções e conhecimentos práticos.
Nosso propósito é mostrar o que já funciona, ouvir quem vive a operação e criar oportunidades para que empresas de diferentes portes possam evoluir.
Quem organizar seus processos, investir em boas ferramentas, preparar sua equipe e utilizar melhor as informações terá uma vantagem cada vez maior.
No varejo moderno, vender bem continua sendo essencial.
Mas administrar com inteligência será o verdadeiro diferencial dos supermercados que desejam crescer com eficiência, rentabilidade e sustentabilidade.





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