Receita e rendimento no açougue: por que calcular o custo de cada corte é fundamental para aumentar a lucratividade
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Um dos erros mais comuns nos açougues é acreditar que basta vender bastante carne para obter lucro. Na prática, muitos supermercados possuem um bom volume de vendas, mas não sabem exatamente quanto ganham em cada corte. A diferença entre um açougue que apenas vende e outro que realmente gera resultados está no controle da receita, do rendimento e do custo médio de cada peça desossada.

Durante a desossa de meia peça de lombo bovino, por exemplo, é possível obter diversos cortes de maior valor agregado, como Entrecôte (ou Bife Ancho), Prime Rib, Capa de Filé, Bananinha, além dos recortes destinados a outros preparos. Também é necessário descontar o sebo para calcular corretamente o rendimento da peça.
Depois de pesar todos os cortes produzidos e descontar o peso do sebo, chega-se ao rendimento real da matéria-prima. A partir desse cálculo é possível determinar o custo médio dos cortes, que servirá como base para definir o preço de venda e aplicar a margem de lucro desejada.
Vender carne não é o mesmo que gerar lucro
Durante os workshops de açougue promovidos pela Expo Supermercados, uma pergunta aparece com frequência:
"Eu vendo bastante carne, mas não consigo enxergar onde está a lucratividade."
Na maioria das vezes, a resposta está justamente na ausência de um controle de receita e rendimento.
Sem esse acompanhamento, o supermercado acaba precificando alguns cortes abaixo do necessário, enquanto outros poderiam ter um valor agregado maior. O resultado é uma operação que movimenta bastante dinheiro, mas entrega uma margem muito menor do que poderia.
Cada corte possui um valor diferente
Uma única peça de lombo pode gerar diversos produtos com características e aplicações distintas.
O Prime Rib, por exemplo, é um corte premium de excelente apresentação e alto valor agregado.
O Entrecôte, também conhecido em muitas regiões como Bife Ancho, destaca-se pelo marmoreio e pela maciez, sendo muito procurado para churrascos.
A Capa de Filé é um corte extremamente saboroso, ideal para grelha, espeto ou preparo na churrasqueira.
Já a Bananinha, formada pelas pequenas carnes localizadas entre as costelas, tornou-se um dos cortes mais apreciados pelos consumidores devido à sua maciez e sabor intenso.
Até mesmo os recortes da desossa possuem valor comercial e podem ser destinados para diferentes preparações, desde carnes temperadas até produtos processados.
Quando cada um desses cortes possui sua ficha de rendimento e seu custo corretamente calculado, o gestor consegue tomar decisões muito mais seguras sobre preços, promoções e margem de contribuição.
Organização e higiene também fazem parte da rentabilidade
Outro ponto muitas vezes negligenciado é a apresentação do ambiente de trabalho.
Uma bancada organizada e uma balança sempre limpa transmitem profissionalismo e confiança ao consumidor.
Mesmo após realizar toda a desossa de uma peça, é fundamental manter os equipamentos higienizados durante toda a operação. O cliente observa os detalhes no balcão de atendimento. Restos de carne, gordura acumulada ou equipamentos mal conservados prejudicam a percepção de qualidade e podem comprometer a imagem do açougue.
Equipamentos de fácil higienização ajudam a manter esse padrão durante toda a jornada de trabalho, reduzindo o tempo de limpeza e facilitando a rotina da equipe.
Conhecimento transforma o açougue em um centro de resultados
O açougue moderno deixou de ser apenas um setor de venda de carnes. Hoje, ele precisa funcionar como uma unidade de negócios, onde cada peça desossada é analisada, cada corte possui seu rendimento conhecido e cada preço de venda é definido com base em informações concretas.
Quem domina os conceitos de receita, rendimento e custo médio consegue precificar melhor, reduzir desperdícios, aumentar o valor agregado dos cortes especiais e, principalmente, transformar conhecimento técnico em maior rentabilidade para o supermercado.

