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Webinário Liderança e Gestão no Varejo - Escassez de Mão de Obra no Varejo e Logística

  • há 12 horas
  • 4 min de leitura

Liderança e Gestão no Varejo: escassez de mão de obra exige novas decisões


O Webinário Liderança e Gestão no Varejo – Episódio: Escassez de Mão de Obra no Varejo e Logística, transmitido ao vivo no dia 12 de fevereiro de 2026, pelos canais do Conectando o Varejo no YouTube e no LinkedIn, marcou o início de uma nova série de debates voltados aos desafios reais enfrentados por quem vive a rotina do varejo e da logística no Brasil. Com o tema “Escassez de Mão de Obra no Varejo e Logística”, o encontro reuniu experiências práticas, dados de mercado e reflexões profundas sobre pessoas, liderança e futuro do trabalho.


A condução ficou por conta de Wagner Donegatti, profissional com mais de 35 anos de atuação em grandes operações do varejo nacional, e Elaine Cardoso, consultora e mentora que atua com empresas de médio e grande porte em diferentes regiões do país. O convidado especial foi Alexandre Cyriaco, executivo de Recursos Humanos com mais de 16 anos de experiência, que iniciou sua trajetória na área comercial e de operações antes de migrar para o RH — um diferencial que marcou sua leitura prática do tema.


Desde o início, o webinário deixou claro seu propósito: falar de problemas reais, sem fórmulas prontas, a partir da vivência de quem está no chão de loja, nos centros de distribuição e nas decisões estratégicas. A escassez de mão de obra, segundo os participantes, não é um fenômeno isolado nem passageiro, mas resultado de mudanças profundas no comportamento das pessoas, no mercado de trabalho e nas expectativas das novas gerações.


Ao analisar o cenário, Alexandre Cyriaco destacou que varejo e logística enfrentam a falta de pessoas por motivos semelhantes, mas com impactos diferentes. No varejo, o desafio se intensifica pela rotina de fins de semana, feriados e pelo contato direto com o cliente. Já na logística, o crescimento acelerado do setor aumenta a disputa por profissionais, tornando a contratação cada vez mais difícil. Em ambos os casos, ficou evidente que o modelo tradicional de gestão já não responde às demandas atuais.



Um dos pontos centrais do debate foi o papel da liderança. Elaine Cardoso chamou atenção para um problema recorrente: muitos líderes cresceram operacionalmente, mas não foram preparados para liderar pessoas. Essa falta de formação gera insegurança, conflitos, baixa retenção e aumento do turnover. Wagner reforçou que, no varejo, não é raro encontrar lojas da mesma rede, com os mesmos processos e tecnologias, apresentando resultados completamente diferentes — e, quase sempre, a diferença está na liderança.


O tema das escalas de trabalho também ganhou destaque, especialmente diante das discussões sobre a substituição do modelo 6x1 por alternativas como a escala 5x2 e a 12x36. Alexandre explicou que a escala 5x2 não significa folga fixa aos fins de semana, mas garante dois dias consecutivos de descanso, o que aumenta a atratividade do setor e melhora a qualidade de vida do colaborador. No entanto, alertou que qualquer mudança precisa vir acompanhada de ganho de produtividade, melhor planejamento e uso de tecnologia, para que não gere desequilíbrio financeiro.


Nesse contexto, a automação apareceu como um caminho inevitável. Elaine foi direta ao afirmar que a falta de pessoas não tende a diminuir e que o empresário precisa se antecipar, investindo em processos, sistemas e tecnologias que reduzam tarefas repetitivas e permitam que as equipes foquem no atendimento e na experiência do cliente. Wagner complementou lembrando que soluções como self-checkout já são realidade em muitas operações e fazem parte desse movimento de adaptação.


Outro ponto sensível discutido foi o alto índice de turnover no varejo. Alexandre apresentou dados preocupantes, indicando que a rotatividade pode chegar a 70% ao ano em algumas operações, com grande parte das saídas ocorrendo nos primeiros três meses de contratação. Isso reforça a importância de um bom processo de integração, acolhimento e acompanhamento inicial, papel que deve ser assumido diretamente pela liderança da loja.


O absenteísmo também foi tratado como um sintoma de problemas mais profundos. Faltas frequentes, especialmente aos fins de semana, comprometem a operação, sobrecarregam equipes e afetam diretamente a experiência do cliente. Para os participantes, o absenteísmo raramente é apenas uma questão individual; na maioria das vezes, está ligado ao clima organizacional, à falta de reconhecimento e à ausência de diálogo entre líderes e equipes.


Ao longo de quase uma hora de conversa, o webinário reforçou uma mensagem clara: o maior patrimônio do varejo continua sendo as pessoas. Cuidar de gente, desenvolver líderes, ouvir equipes e criar ambientes mais humanos deixou de ser discurso e passou a ser estratégia de sobrevivência. Como destacou Alexandre em sua fala final, líderes que dedicam tempo às pessoas colhem resultados mais consistentes, com equipes engajadas e operações mais sustentáveis.


O episódio inaugural do Webinário Liderança e Gestão no Varejo encerrou com a promessa de continuidade. Novos encontros irão aprofundar temas como tecnologia, inteligência artificial, multigerações, produtividade e novos formatos de trabalho. Para quem vive o varejo diariamente, ficou claro que o futuro já começou - e ele exige decisões mais conscientes, liderança preparada e uma nova forma de enxergar as pessoas dentro das organizações.



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