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Abertura dos supermercados aos domingos: um debate necessário e cheio de contrapontos

Por Fabiano Polese, diretor da Expo Supermercados - Feira de Negócios, Experiências e Inovações


A abertura ou não dos supermercados aos domingos é um dos temas mais recorrentes – e polêmicos – dentro do varejo alimentar brasileiro. Trata-se de um debate que envolve legislação, sindicatos, empresários, colaboradores e, claro, o consumidor. Não existe uma resposta simples ou única, pois a decisão passa por variáveis econômicas, sociais, culturais e estratégicas que mudam de região para região.


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Do ponto de vista legal, a abertura aos domingos depende de leis municipais, acordos coletivos e convenções firmadas entre sindicatos patronais e de trabalhadores. Em muitas cidades, a legislação permite a abertura desde que haja negociação específica, pagamento de adicionais, compensação de folgas ou limites de horários.


Em outras, as regras são mais restritivas, exigindo autorizações especiais. Esse arcabouço legal busca equilibrar o direito ao descanso do trabalhador com a necessidade de atendimento à população, mas nem sempre consegue atender plenamente a todos os interesses envolvidos.


Os sindicatos, por sua vez, têm papel fundamental nesse processo. Representando os trabalhadores, defendem a preservação do descanso dominical, o convívio familiar e a qualidade de vida dos colaboradores. Muitos funcionários, de fato, preferem não trabalhar aos domingos, especialmente aqueles que já cumprem jornadas intensas durante a semana e aos sábados. Para eles, o domingo ainda carrega um valor simbólico importante, ligado ao lazer, à família e à recuperação física e emocional.


Do outro lado estão os empresários do setor varejista, que frequentemente se reúnem para discutir estratégias coletivas, buscando equilíbrio competitivo e previsibilidade no mercado. Em teoria, acordos são firmados para que todos sigam a mesma regra, evitando concorrência desleal. Na prática, porém, nem sempre isso acontece. Em muitas combinações entre empresários, há sempre um ou outro que não cumpre o acordo e decide abrir no domingo para faturar mais, apostando no fluxo adicional de clientes. Esse comportamento acaba pressionando os demais, que se veem diante do dilema: manter o combinado ou abrir para não perder vendas.


Além disso, surgem adaptações criativas – e controversas. Alguns negócios mudam a nomenclatura, deixando de se apresentar como “supermercado” e passando a operar como “loja de convivência”, “mercado de bairro” ou outro formato híbrido, oferecendo um pouco de tudo. Essa mudança, em alguns casos, busca se enquadrar em brechas legais, permitindo a abertura aos domingos sem ferir, formalmente, determinadas restrições. Isso adiciona mais um elemento de complexidade ao debate e reforça a sensação de desigualdade entre os operadores.


Há também o fator consumidor. Uma parcela significativa do público moderno utiliza o domingo para fazer compras, seja por falta de tempo durante a semana, seja por conveniência. Para esses clientes, encontrar o supermercado fechado pode significar buscar alternativas. E alternativas não faltam: compras pela internet, aplicativos de entrega, lojas de conveniência ou até mesmo o deslocamento para cidades vizinhas, muitas vezes a poucos minutos de distância. Ou seja, fechar no domingo não significa, necessariamente, que o consumo deixará de acontecer – apenas mudará de canal ou de local.


Por outro lado, abrir todos os domingos também não garante, automaticamente, maior rentabilidade. Há custos adicionais com pessoal, energia, logística e segurança, que precisam ser cuidadosamente analisados. Em alguns casos, o faturamento extra não compensa as despesas, tornando a abertura mais uma questão estratégica do que simplesmente financeira.


O fato é que a abertura dos supermercados aos domingos permanece como um debate aberto, com muitas variáveis e sem soluções universais. Questionar as opções, ouvir trabalhadores, respeitar a legislação, dialogar com sindicatos e analisar o comportamento do consumidor são passos essenciais para decisões mais equilibradas. Mais do que escolher entre abrir ou fechar, o desafio do varejo está em encontrar modelos sustentáveis, justos e competitivos, capazes de atender o público sem comprometer as pessoas que fazem o supermercado funcionar todos os dias.

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