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Marcas próprias como estratégia de diferenciação no supermercado

  • há 2 horas
  • 13 min de leitura

Em um mercado no qual muitos supermercados vendem produtos semelhantes, possuem fornecedores parecidos e disputam clientes com promoções cada vez mais agressivas, criar uma diferenciação verdadeira tornou-se um dos maiores desafios do varejo alimentar.


As marcas próprias podem ajudar a construir essa diferenciação.


Quando o supermercado desenvolve um produto comercializado exclusivamente em suas lojas, deixa de oferecer apenas aquilo que o consumidor encontra nos concorrentes. Passa a ter um item próprio, com identidade, especificações, embalagem, posicionamento e proposta de valor definidos de acordo com sua estratégia.

Homem em loja de bebidas, mostrando garrafa de cerveja diante de geladeira iluminada com rótulos amarelos e texto Mikkeller.
Cerveja marca própria

A marca própria pode aumentar o vínculo entre o consumidor e a rede porque aquele produto não está disponível em qualquer estabelecimento. Se o cliente experimenta, aprova e cria o hábito de comprá-lo, passa a ter mais um motivo para retornar àquela loja.


Entretanto, lançar uma marca própria não significa apenas colocar o nome do supermercado em uma embalagem. A estratégia exige conhecimento do consumidor, seleção criteriosa de fornecedores, padronização, controle de qualidade, formação de preço, comunicação e acompanhamento permanente dos resultados.


Quando o nome da rede aparece no produto, qualquer problema de qualidade também passa a afetar diretamente a reputação do supermercado.


O poder da Marca Própria em supermercados de bairro: quais estratégias e benefícios?

O que é uma marca própria?

Marca própria é aquela criada ou controlada por um varejista e utilizada em produtos comercializados em suas lojas ou canais.

A marca pode utilizar:

  • o mesmo nome do supermercado;

  • uma identidade derivada da rede;

  • uma marca independente criada pelo varejista;

  • diferentes nomes para linhas econômicas, intermediárias ou especiais.

A marca própria pode levar o nome do varejista ou utilizar um nome criado exclusivamente por ele. A fabricação pode ser realizada por indústrias de grande porte, empresas especializadas em terceirização ou estruturas produtivas pertencentes ao próprio varejista.

É importante diferenciar marca própria de produto exclusivo. Um fornecedor pode comercializar determinada marca exclusivamente em uma rede, mas continuar sendo o proprietário da marca. Na marca própria, o varejista normalmente possui maior controle sobre a identidade, as especificações e o posicionamento do produto.


Marca própria de supermercados vale a pena?

As marcas próprias estão crescendo no Brasil

A procura por marcas próprias vem avançando à medida que os consumidores passam a reconhecer qualidade, variedade e custo-benefício nessas linhas.

Segundo dados divulgados pela ABMAPRO — Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização, 58% dos consumidores brasileiros pesquisados pretendiam ampliar suas compras de marcas próprias entre 2025 e 2026.

O levantamento da NielsenIQ apresentado no PL Connection 2025 também indicou que:

  • as vendas de marcas próprias alcançaram R$ 6,3 bilhões no varejo brasileiro até agosto de 2025;

  • o segmento apresentava crescimento médio de 9,2%;

  • supermercados regionais, atacarejos e farmácias registravam avanços acima da média;

  • 41% dos consumidores brasileiros afirmavam estar dispostos a experimentar novas marcas próprias;

  • 76% percebiam melhora na qualidade desses produtos.

Os dados mostram uma mudança importante. A marca própria deixou de ser percebida somente como um produto básico ou uma substituição econômica. Ela pode ocupar espaços de conveniência, qualidade, inovação, regionalidade e valor agregado.


A tendência também cresce internacionalmente

A evolução acontece em diversos mercados.

A NielsenIQ informou que 53% dos consumidores pesquisados mundialmente estavam comprando mais marcas próprias do que antes. As vendas globais do segmento registraram crescimento anual de 4,3%.

A mesma pesquisa apontou que 68% consideravam as marcas próprias boas alternativas às marcas tradicionais e 60% comprariam mais se encontrassem maior variedade.

Na Europa, onde a estratégia está mais desenvolvida, as marcas próprias alcançaram 38,8% de participação em valor nos 17 mercados analisados pela PLMA em 2025. Em 12 desses países houve aumento de participação. Os resultados podem ser consultados em Private Label Today.

Esses percentuais não devem ser usados como uma meta automática para o varejo brasileiro. Cada mercado possui estrutura, hábitos de consumo e níveis de concentração diferentes. Entretanto, mostram que a marca própria pode deixar de ser uma linha secundária e se transformar em um componente central da estratégia do varejista.


Por que a marca própria diferencia o supermercado?

Produto exclusivo

O concorrente pode vender a mesma marca industrial, no mesmo tamanho e com características muito parecidas. Nesse caso, a comparação de preço é imediata.

Com uma marca própria, o produto é exclusivo. O cliente pode comparar categoria, qualidade e quantidade, mas não encontrará exatamente o mesmo item na loja concorrente.

Isso reduz a comparação direta e permite que o supermercado desenvolva uma proposta própria de valor.

Maior vínculo com a loja

Quando o cliente gosta de um produto que só encontra em determinada rede, o relacionamento deixa de acontecer apenas com o fabricante e passa a envolver o próprio supermercado.

O cliente pode visitar a loja especificamente para comprar aquele café, biscoito, produto de limpeza, pão, sobremesa ou refeição pronta.

Fortalecimento da identidade

A marca própria comunica como o supermercado deseja ser percebido.

Ela pode transmitir:

  • economia;

  • qualidade;

  • praticidade;

  • tradição regional;

  • inovação;

  • exclusividade;

  • origem local;

  • confiança;

  • sustentabilidade;

  • valor agregado.

A embalagem, o nome, as categorias escolhidas e o padrão de qualidade precisam estar alinhados ao posicionamento da rede.

Potencial de margem

A marca própria pode oferecer uma margem comercial interessante porque sua estrutura de custos e comunicação é diferente da encontrada em grandes marcas nacionais.

Mas uma margem maior não acontece automaticamente. Desenvolvimento, embalagem, quantidade mínima de fabricação, estoque, controle de qualidade, marketing, testes e eventuais devoluções também geram custos.

A análise precisa considerar a margem em reais, o giro, o investimento em estoque e o custo completo do projeto.

Conhecimento sobre o consumidor

O supermercado possui uma vantagem importante: acompanha diretamente as compras dos clientes.

Histórico de vendas, frequência, ticket médio, reclamações, pesquisas e programas de fidelidade ajudam a identificar lacunas no mercado.

A rede pode perceber, por exemplo, que os consumidores procuram:

  • uma embalagem menor;

  • um produto econômico;

  • uma versão com melhor apresentação;

  • um sabor regional;

  • uma solução mais prática;

  • um tamanho familiar;

  • uma opção premium;

  • uma receita exclusiva;

  • uma alternativa que não está disponível na região.

A marca própria pode ser desenvolvida para responder a uma necessidade concreta.


Marca própria não deve significar apenas preço baixo

Durante muito tempo, marcas próprias foram posicionadas principalmente como versões econômicas. Essa estratégia continua sendo relevante, especialmente para consumidores que buscam controlar seus gastos.

Porém, trabalhar exclusivamente com preço baixo limita o potencial da marca.

O supermercado pode construir uma arquitetura com diferentes níveis.

Linha econômica

Produtos essenciais, embalagem objetiva e preço competitivo. A proposta principal é entregar funcionalidade e economia.

Linha principal

Produtos que procuram equilibrar qualidade, apresentação e custo-benefício. Essa costuma ser a linha mais associada à identidade do varejista.

Linha especial ou premium

Produtos diferenciados por ingredientes, origem, processo, embalagem, conveniência ou proposta regional. O objetivo é gerar valor percebido, não apenas economia.

O conteúdo Quando o supermercado deixa de competir por preço e passa a competir por valor percebido mostra por que qualidade, confiança, organização e experiência ajudam a proteger o negócio da dependência excessiva de promoções.


Em quais categorias começar?

A melhor categoria não é necessariamente a de maior faturamento. O supermercado deve avaliar demanda, fornecedores, risco, margem, complexidade, capital necessário e capacidade de controle.

Uma categoria inicial pode apresentar:

  • vendas frequentes;

  • demanda relativamente previsível;

  • poucas variações;

  • fornecedores capacitados;

  • facilidade de comparação da qualidade;

  • baixa complexidade operacional;

  • possibilidade de recompra;

  • espaço para diferenciação;

  • quantidade mínima de fabricação compatível com o giro.

Entre as categorias que podem ser estudadas estão:

  • arroz, feijão e outros produtos básicos;

  • massas e molhos;

  • biscoitos;

  • café;

  • farinhas e ingredientes culinários;

  • produtos de limpeza;

  • papéis e descartáveis;

  • alimentos congelados;

  • laticínios;

  • itens de padaria;

  • produtos de açougue;

  • frutas e legumes embalados;

  • refeições prontas;

  • produtos artesanais ou regionais.

Isso não significa que todas sejam adequadas para qualquer supermercado. Categorias com maior risco sanitário, vida útil curta ou operação complexa exigem controles mais rigorosos.


Produtos regionais podem fortalecer a marca própria

Supermercados regionais possuem uma vantagem que grandes redes nacionais nem sempre conseguem reproduzir: proximidade com a cultura e os hábitos locais.

Uma marca própria pode valorizar receitas, produtores, sabores e tradições da região. O supermercado também pode trabalhar com fornecedores locais para criar produtos exclusivos.

Algumas possibilidades incluem:

  • geleias;

  • biscoitos;

  • pães;

  • massas;

  • molhos;

  • doces;

  • cafés;

  • queijos e laticínios regularizados;

  • produtos da padaria;

  • refeições típicas;

  • itens sazonais.

A história do produtor e a origem do produto podem fazer parte da comunicação. Isso aumenta a autenticidade e ajuda a transformar a compra em uma experiência.


Como escolher o fornecedor da marca própria?

A seleção não deve ser baseada somente no menor preço.

O fornecedor precisa demonstrar capacidade de entregar qualidade constante, documentação adequada, volume, rastreabilidade e segurança.

A avaliação deve considerar:

  • experiência na categoria;

  • regularidade da empresa;

  • capacidade produtiva;

  • controles de qualidade;

  • boas práticas de fabricação;

  • origem das matérias-primas;

  • rastreabilidade;

  • histórico de entregas;

  • capacidade de atender picos de demanda;

  • quantidade mínima por pedido;

  • prazo de produção;

  • condições logísticas;

  • desenvolvimento de embalagens;

  • suporte técnico;

  • procedimento para reclamações e recolhimentos;

  • estabilidade financeira;

  • possibilidade de auditoria.

Também é importante evitar dependência excessiva de um único fornecedor. A rede precisa avaliar o que aconteceria se a indústria enfrentasse falta de matéria-prima, interrupção produtiva ou dificuldades logísticas.


Crie uma especificação técnica para cada produto

Dizer que o produto precisa ser “bom” não é suficiente.

A rede deve criar uma especificação que determine claramente o padrão esperado. Dependendo da categoria, o documento pode estabelecer:

  • composição;

  • ingredientes;

  • peso;

  • dimensões;

  • textura;

  • sabor;

  • aroma;

  • aparência;

  • rendimento;

  • embalagem;

  • forma de conservação;

  • prazo de validade;

  • critérios microbiológicos e físico-químicos aplicáveis;

  • tolerâncias;

  • padrão de rotulagem;

  • condições de transporte;

  • procedimentos para aprovação de lotes.

Sem especificação, cada produção pode apresentar resultados diferentes. Quando o cliente compra uma marca própria, espera encontrar o mesmo padrão da experiência anterior.


Faça testes antes do lançamento

O produto não deve ser escolhido apenas pela opinião do proprietário, comprador ou fornecedor.

A rede pode realizar:

  • comparação com produtos líderes;

  • testes de utilização;

  • avaliação de embalagem;

  • degustações controladas, quando aplicável;

  • pesquisa com clientes;

  • teste em poucas unidades;

  • lançamento em uma região;

  • acompanhamento de reclamações;

  • análise de recompra.

O conteúdo O supermercado precisa vender o que o cliente quer comprar reforça uma lição importante: a preferência do gestor não substitui o comportamento real do consumidor.

A marca própria deve responder a uma demanda comprovada, e não apenas a uma percepção interna.


A embalagem precisa transmitir confiança

Como a marca ainda não possui o reconhecimento de uma indústria tradicional, a embalagem desempenha um papel decisivo.

Ela precisa ajudar o consumidor a entender:

  • o que é o produto;

  • qual é a quantidade;

  • para quem ele foi desenvolvido;

  • quais são seus diferenciais;

  • como deve ser utilizado;

  • quem é responsável pela fabricação;

  • como armazenar;

  • como entrar em contato;

  • por que vale a pena experimentá-lo.

A identidade visual precisa funcionar na gôndola e no comércio eletrônico. Cores, tipografia e nomes devem permanecer consistentes entre as categorias, facilitando o reconhecimento da linha.

Segundo a NielsenIQ, imagens claras, informações completas e padronização ajudam as marcas próprias a ganhar confiança e visibilidade nos canais digitais. O consumidor que compra online não consegue examinar fisicamente o produto e depende das fotografias, descrições e atributos cadastrados.

Na área de alimentos, a Anvisa estabelece as informações exigidas nos rótulos, incluindo dados como ingredientes, validade e informações nutricionais, conforme a aplicação das normas à categoria.


Registrar a marca protege o projeto

Antes de investir em embalagens, campanhas e grandes pedidos, o varejista deve pesquisar a disponibilidade do nome e avaliar o registro da marca.

O INPI mantém orientações para busca e registro de marcas. A pesquisa prévia ajuda a identificar nomes ou sinais semelhantes que já estejam protegidos.

Essa etapa deve ser realizada com orientação especializada, considerando as categorias de produtos, a identidade visual e os planos futuros de expansão.


Qual é a responsabilidade do supermercado?

A fabricação terceirizada não elimina a responsabilidade da rede.

A Anvisa informa que os fabricantes são os principais responsáveis pela qualidade e segurança dos alimentos, mas os demais participantes da cadeia também possuem responsabilidade sobre os produtos comercializados. Veja a orientação em Quem é o principal responsável pela qualidade e segurança dos alimentos?.

Por isso, o contrato com o fornecedor precisa definir:

  • especificações;

  • responsabilidades;

  • documentação;

  • auditorias;

  • aprovação de alterações;

  • controle de lotes;

  • tratamento de reclamações;

  • recolhimento de produtos;

  • uso da marca;

  • confidencialidade;

  • volumes;

  • preços;

  • prazos;

  • penalidades;

  • encerramento da produção.

A loja também precisa manter canais para atendimento ao consumidor e processos internos para identificar rapidamente o lote envolvido em uma reclamação.


Como definir o preço?

A marca própria pode ser posicionada abaixo, próxima ou acima das marcas tradicionais. Isso depende da proposta da linha.

A formação de preço deve considerar:

  • custo de compra;

  • impostos;

  • frete;

  • armazenagem;

  • desenvolvimento;

  • embalagem;

  • controle de qualidade;

  • investimento promocional;

  • perdas;

  • prazo de pagamento;

  • quantidade mínima;

  • margem desejada;

  • preço das alternativas;

  • valor percebido.

Um produto econômico precisa apresentar uma diferença de preço compreensível. Uma linha premium precisa entregar benefícios capazes de justificar seu posicionamento.

Reduzir muito o preço pode prejudicar a percepção de qualidade. Posicionar próximo demais da marca líder também pode dificultar a experimentação, especialmente quando a marca própria ainda não possui confiança.


Marca própria e marcas tradicionais podem conviver

Criar uma linha própria não significa retirar automaticamente as marcas que o cliente já procura.

As marcas tradicionais podem gerar fluxo, confiança e referência de preço. A marca própria amplia as opções e ajuda o supermercado a construir uma proposta exclusiva.

Uma estrutura equilibrada pode oferecer:

  • marca líder;

  • alternativa intermediária;

  • marca própria;

  • opção econômica;

  • produto regional;

  • produto especial.

A decisão deve observar vendas, margem, giro, fidelidade, elasticidade e pedidos dos clientes.

Eliminar uma marca procurada apenas para forçar a venda da linha própria pode provocar insatisfação e levar o consumidor ao concorrente.


A exposição precisa incentivar a experimentação

Não basta cadastrar o produto e colocá-lo na parte menos visível da gôndola.

A marca própria precisa receber:

  • localização adequada;

  • preços visíveis;

  • quantidade suficiente;

  • materiais explicativos;

  • presença nos encartes;

  • divulgação nas redes sociais;

  • inclusão no aplicativo;

  • fotografias profissionais;

  • destaque no programa de fidelidade;

  • degustação ou demonstração, quando aplicável;

  • treinamento dos funcionários.

Uma boa estratégia é colocar a marca própria próxima às principais referências da categoria. Isso facilita a comparação de preço, tamanho e proposta.

O produto também pode participar de ações de venda combinada. Uma massa própria pode ser apresentada com um molho da mesma linha. Um café pode ser combinado com produtos da padaria. Uma refeição pronta pode receber uma sobremesa complementar.


A equipe precisa conhecer a marca

Funcionários são importantes em qualquer lançamento.

Caixas, repositores, atendentes e profissionais dos setores precisam saber:

  • o que diferencia o produto;

  • onde ele é fabricado;

  • quais versões estão disponíveis;

  • como orientar o cliente;

  • como registrar comentários;

  • para quem encaminhar reclamações;

  • como verificar estoque e exposição.

Se a própria equipe demonstra desconhecimento ou insegurança, o consumidor dificilmente confiará na novidade.

Para qualificar gestores e profissionais, conheça os cursos online do CTDE e o Treinamento Completo para Supermercados.


Quais indicadores acompanhar?

O desempenho precisa ser avaliado por produto e categoria.

Entre os principais indicadores estão:

  • faturamento;

  • unidades vendidas;

  • margem em reais;

  • margem percentual;

  • giro;

  • cobertura de estoque;

  • ruptura;

  • perdas;

  • participação na categoria;

  • taxa de experimentação;

  • índice de recompra;

  • número de clientes compradores;

  • vendas promocionais e regulares;

  • reclamações;

  • devoluções;

  • desempenho por loja;

  • retorno sobre o estoque;

  • vendas por metro linear;

  • prazo médio de abastecimento.

O GMROI no supermercado ajuda a avaliar quanto de margem o estoque gera para cada real investido. Esse acompanhamento é importante porque uma marca própria pode apresentar boa margem percentual, mas ter giro insuficiente e manter muito capital parado.


Principais erros ao desenvolver marcas próprias

Lançar produtos demais

Um portfólio muito grande aumenta estoque, investimento, complexidade e risco de baixo giro.

Escolher apenas pelo menor preço

O fornecedor mais barato pode não entregar a consistência necessária para proteger a reputação da rede.

Copiar a embalagem da marca líder

Além de possíveis riscos jurídicos, a imitação impede que a marca própria construa identidade e confiança próprias.

Não ouvir o consumidor

A marca pode agradar à equipe interna e não atender às necessidades reais dos clientes.

Não controlar a qualidade

Cada lote precisa manter o padrão aprovado. Pequenas variações podem prejudicar a recompra.

Comprar volumes incompatíveis com o giro

Quantidades mínimas elevadas podem gerar excesso, vencimento e capital imobilizado.

Tratar a linha apenas como produto promocional

Se o cliente só compra durante descontos, a marca não está construindo valor e preferência.

Não preparar os canais digitais

Produtos sem fotografias, descrições e atributos completos perdem visibilidade em aplicativos, buscas e recomendações.

Retirar marcas tradicionais sem análise

A imposição da marca própria pode afastar consumidores fiéis a outros produtos.


Plano prático para iniciar uma marca própria

1. Analise os dados da loja

Identifique categorias com demanda, recorrência, margem, oportunidade de diferenciação e espaço no mercado.

2. Converse com os clientes

Descubra o que valorizam, quais produtos procuram e quais dificuldades encontram nas opções atuais.

3. Escolha poucas categorias

Comece com um projeto-piloto administrável, capaz de ser acompanhado de perto.

4. Defina o posicionamento

Determine se a linha será econômica, principal, regional, de conveniência ou especial.

5. Pesquise e proteja a marca

Avalie nome, identidade, registro e possibilidades de expansão para outras categorias.

6. Selecione fornecedores

Analise qualidade, capacidade, documentação, logística, estabilidade e suporte.

7. Desenvolva a especificação

Registre o padrão que deverá ser mantido em todos os lotes.

8. Teste os produtos

Compare, faça avaliações e utilize a opinião dos consumidores antes da expansão.

9. Planeje o lançamento

Prepare exposição, preço, estoque, comunicação, canais digitais e equipe.

10. Acompanhe a recompra

A primeira venda pode ser gerada pela curiosidade. O verdadeiro sucesso aparece quando o consumidor volta para comprar novamente.


O principal aprendizado para o supermercadista

A marca própria pode representar economia, mas seu maior potencial está na diferenciação.

Quando desenvolvida com método, ela ajuda o supermercado a criar produtos exclusivos, fortalecer sua identidade, oferecer soluções adaptadas ao cliente local e construir uma relação que não depende somente de promoções.

Mas a embalagem leva a reputação da rede. Por isso, qualidade, padronização e transparência precisam estar no centro da estratégia.

O supermercadista não deve perguntar apenas:

“Quanto vou ganhar vendendo este produto?”

Também precisa perguntar:

“Este produto representa a qualidade que desejo associar ao nome da minha empresa?”

A marca própria bem-sucedida é aquela que o consumidor experimenta pelo preço ou pela curiosidade, compra novamente pela qualidade e passa a procurar porque confia.


Perguntas frequentes sobre marcas próprias

O que é uma marca própria de supermercado?

É uma marca criada ou controlada pelo varejista e utilizada em produtos comercializados com exclusividade em suas lojas ou canais.

Marca própria é sempre mais barata?

Não. Ela pode ser econômica, intermediária, regional, de conveniência ou premium. O preço precisa refletir sua proposta de valor.

Supermercados pequenos podem ter marca própria?

Sim. Podem começar com poucas categorias, fornecedores regionais, centrais de negócios ou projetos compartilhados. O volume mínimo e a capacidade de controle precisam ser avaliados.

Qual é a melhor categoria para começar?

Depende dos clientes e da operação. Categorias com demanda previsível, recompra frequente, fornecedores confiáveis e complexidade controlável tendem a facilitar o projeto-piloto.

Marca própria oferece margem maior?

Pode oferecer, mas não existe garantia. Estoque, desenvolvimento, embalagem, logística, marketing, qualidade e perdas precisam entrar no cálculo.

É preciso registrar a marca?

O registro é importante para proteger o nome e a identidade utilizados. Antes do lançamento, recomenda-se pesquisar a disponibilidade e buscar orientação especializada.

Quem fabrica os produtos?

Indústrias que também possuem suas marcas, fabricantes especializados em terceirização ou estruturas produtivas do próprio varejista.

A marca própria deve substituir as marcas líderes?

Não necessariamente. As duas podem conviver. O mix precisa considerar procura, fidelidade, margem, giro e preferência do consumidor.

Como saber se a marca própria está dando resultado?

Acompanhe margem, giro, participação na categoria, recompra, ruptura, perdas, reclamações e retorno sobre o estoque.


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