Produtos zumbis no supermercado: eles ocupam espaço, estoque e dinheiro sem dar resultado
- há 8 horas
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Você já ouviu falar em produto zumbi? É aquele item que continua “vivo” na prateleira, mas quase não vende, deixa pouca margem e ainda ocupa um espaço que poderia ser utilizado por outro produto mais rentável. Muitas vezes, ele permanece no mix porque sempre esteve ali, porque algum fornecedor solicitou mais exposição ou simplesmente porque ninguém parou para analisar seu verdadeiro resultado. Como explicamos no conteúdo sobre quando diversificar deixa de gerar resultado no supermercado, variedade só gera valor quando possui um propósito claro.

O problema é que vender alguma coisa não significa, necessariamente, dar lucro. Um produto pode registrar algumas vendas durante o mês, mas permanecer 60, 90 ou até mais dias no estoque. Nesse período, ele imobiliza dinheiro, ocupa espaço no depósito, exige reposição, conferência e limpeza, além de aumentar o risco de vencimento ou avaria. Por isso, o supermercadista precisa observar não apenas o faturamento, mas também o giro, a margem, os dias de estoque e a venda por espaço ocupado. Essa reflexão aparece no vídeo “O futuro do varejo não é vender mais. É ganhar melhor”, com Jocy Astolphi, publicado no canal da Expo Supermercados.
Uma ferramenta prática para encontrar esses produtos é a Curva ABC no supermercado. Ela ajuda a identificar quais itens sustentam as vendas, quais possuem desempenho intermediário e quais apresentam baixa participação no resultado. Mas atenção: um produto da classe C não deve ser eliminado automaticamente. Antes de tomar uma decisão, é necessário avaliar sua margem, frequência de venda, sazonalidade, importância para o cliente e função dentro do mix.
Outro indicador que pode ajudar é o GMROI no supermercado. Ele mostra quanto de margem bruta a empresa gera para cada real investido, em média, no estoque. Essa análise permite descobrir que determinados produtos vendem, mas exigem tanto dinheiro parado que entregam um retorno financeiro muito pequeno. O vídeo “Jogo Invisível do Lucro: o que o DRE mostra e poucos gestores enxergam” também ajuda a compreender por que faturamento elevado nem sempre significa lucro.
O espaço ocupado também precisa entrar nessa conta. Uma gôndola, um expositor ou uma área do depósito possui custos relacionados a aluguel, energia, equipamentos, limpeza, manutenção e mão de obra. O indicador de vendas por metro quadrado no supermercado ajuda a avaliar se cada área está sendo utilizada de maneira produtiva. Em algumas categorias, também é possível analisar vendas e margem por metro linear de gôndola, comparando o retorno proporcionado por produtos, marcas e embalagens.
A boa notícia é que encontrar os produtos zumbis não exige uma grande transformação. Comece identificando os itens que não venderam nos últimos 30 dias ou que apresentam giro muito abaixo da média da categoria. Depois, avalie se eles são realmente necessários para completar o sortimento. Alguns devem ser mantidos por estratégia; outros podem receber uma última ação promocional, ter o estoque reduzido, perder espaço na exposição ou sair gradualmente do mix. O objetivo não é simplesmente cortar produtos, mas montar um mix de produtos mais inteligente, adequado ao perfil dos clientes de cada loja.
Por fim, lembre-se de que produto parado também aumenta o risco de vencimentos, avarias, liquidações forçadas e outras perdas. Para aprofundar esse ponto, assista ao vídeo “Menos perdas, mais lucro: prevenção de perdas que protege sua margem”, com Fabio Muniz, da BaseDoze Consultoria. Todo espaço dentro do supermercado precisa trabalhar: na gôndola, no expositor, no depósito e também no caixa da empresa. Um produto zumbi pode parecer inofensivo, mas, quando existem dezenas ou centenas deles, uma parte importante do dinheiro do supermercado permanece parada junto com eles.





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